Técnico poliglota sobrevive com salário de R$ 400
Técnico poliglota
sobrevive com
salário de R$ 400
Um profissional que fala quatro línguas, tem cursos de especialização em três países e já visitou outros 133 nunca mais conseguiu emprego em sua área, depois de ser demitido de uma empresa que prestava serviço para a Itaipu Binacional.
O português João Carlos de Souza Jorge, hoje com 64 anos, demitido da Logus Engenharia em agosto de 1989, depois de nove anos de atuação na hidrelétrica, trabalha atualmente como recepcionista de um hotel que hospeda sacoleiros e ganha R$ 400,00 por mês. Sua mulher, Maria Guilhermina, de 47 anos, é empregada doméstica. Antes, nós é que tínhamos empregadas, lamenta Jorge.
Hoje o casal, que já viveu na Europa e em diversos Estados do Brasil, mora com a filha Yara, de 19 anos, em uma casa modesta na zona central de Foz do Iguaçu, pela qual paga R$ 200,00 mensais.
Jorge é especialista na área de radiologia (o uso de raio X para a checagem da qualidade de materiais e obras em construções), com cursos de especialização em Portugal, na França e na Inglaterra. Já trabalhou em grandes projetos em quatro continentes: Europa (Portugal), Ásia (Irã), África (Moçambique), América do Sul (Brasil).
Antes de Itaipu, ele atuou na construção de grandes hidrelétricas brasileiras: Tucuruí (Pará), São Simão (entre os Estados de Minas Gerais e Goiás) e Sobradinho (na divisa de Bahia com Pernambuco).
Jorge se considera uma vítima do governo Collor (90-92). Quando o Collor assumiu e confiscou os depósitos bancários, eu tinha no overnight os US$ 314.000 que recebi de indenização. Iria comprar duas casas em Aracaju (SE), mas o dinheiro ficou bloqueado.
(Valmir Denardin)





