Dorico da SilvaBitencourt começa o dia com polenta e dois ovos; boldo para ajudarComer como manda o figurino não é uma preocupação para o técnico em contabilidade Nilton Rodrigues Bitencourt, 55 anos, de Londrina. Para começar o dia bem, ele gosta mesmo é de comer um bom prato de polenta com dois ovos fritos e um molhinho de carne. Se não tem molho, ele improvisa. ‘‘Corto cebola, alho e frito com um pouquinho de coloral.’
Entre uma refeição e outra, ele prefere não comer nada. No almoço, o cardápio é arroz, feijão, uma carne e uma salada. Nada mais. No jantar, a mesma coisa. Quando vai para a mesa aquela carne de boi com uma camada de gordurinha, é a felicidade. Ele não dispensa. ‘‘Eu tomo alguns cuidados. Carne de porco, por exemplo, só como se tiver bem fritinha.’
Ele tem um argumento que considera muito bom para não mudar seus hábitos alimentares. ‘‘Se não fez mal até hoje, não vai fazer nunca mais’’. Quando alguma coisa não cai bem, Nilton não perde tempo: vai ao fundo do quintal da casa onde mora, colhe três folhas de boldo e uma de figatil, lava bem, enrola e mastiga. Com um detalhe: tem que mastigar com os dentes da frente. Depois engole com um copo de água.
Fruta não é muito o forte do técnico em contabilidade. A única que ele não rejeita é a banana. ‘‘Como sempre.’’ Nilton se orgulha de ter ido ao médico apenas três vezes na vida. A primeira foi aos 15 anos, devido a uma tosse. A segunda, com vinte e poucos anos, para aliviar uma dor na bexiga. Nas duas vezes, no entanto, deixou os medicamentos receitados pelo médico de lado e resolveu acatar as receitinhas caseiras. ‘‘Deu certo.’
Da última vez que visitou um médico, o fez por insistência dos filhos. ‘‘Eles queriam que eu fizesse um check-up. Não deu nada. Tô ótimo.’’ (B.B.)

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