Técnico acusa policial militar de agressão
Osmani Costa
De Londrina
O técnico em telecomunicações Rogério Moreno da Silva, 22 anos, esteve na tarde de ontem no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Londrina para registrar queixa de arbitrariedade e agressões físicas contra o soldado Sestari. O subcomandante do 5º BPM, major Manoel Cruz Neto, determinou a abertura de um procedimento administrativo para apurar a veracidade da denúncia e possíveis punições ao soldado em 40 dias.
De acordo com Rogério da Silva que esteve também na Redação da Folha a violência contra ele, na semana passada, aconteceu sem nenhuma justificativa. Eu estava numa praça próxima a minha casa, assistindo a um joguinho de futebol. Os policiais, liderados pelo Sestari, chegaram me dando tapas no rosto e chutes nas pernas, conta ele, que mora no Jardim Sabará (zona oeste).
Depois de me revistarem e não acharem nada suspeito, me mandaram embora. Quando estava a algumas quadras do local, os policiais me pegaram novamente. O Sestari me deu uma chave de braço, apertando a garganta e quase me matando sufocado. Foi quando eu reagi, ressalta o técnico em telecomunicações, que é solteiro e sofre de disritmia cerebral.
Rogério da Silva afirma, mostrando o hematoma, que os policiais militares quebraram um cassetete de madeira no seu braço esquerdo. Ele tem outras marcas da violência policial nas pernas e no pulso direito, cortado pelas algemas. Eles ameaçaram me matar, e só pararam de me bater quando chegaram o meu pai, um irmão e alguns vizinhos. Os soldados deram dois tiros de pistola em direção ao pessoal, felizmente ninguém ficou ferido. Agora, estou com medo até de sair na rua para ir trabalhar, porque o Sestari continua me seguindo e me ameaçando.
O técnico registrou denúncia contra o PM ainda na Promotoria de Justiça Criminal, além de pedir o apoio do Centro de Direitos Humanos. Não podemos deixar este tipo de policial, despreparado e violento, continuar batendo e amedrontando as pessoas impunimente pela cidade, afirma ele. De acordo com Rogério da Silva, na delegacia os PMs forjaram a denúncia de que ele teria sido preso por portar três saquinhos de maconha. Ele negou a acusação em depoimento e foi solto depois de pagar fiança de R$ 100,00. O denunciante também fez exame de corpo delito no IML de Londrina, no dia da agressão. O laudo sai em 90 dias.





