Depois de ficar cinco dias parado, o relojão do edifício América, localizado no Calçadão da Avenida Paraná (área central de Londrina), finalmente voltou ontem a marcar a hora certa. O conserto foi feito por volta do meio-dia, pelo técnico Ueda Tetsuo, 61 anos, e que desde 1972 cuida do relógio. ‘‘Viajei no final de semana e não deu para consertar antes’’, esclareceu.
Construído ainda na década de 50, o relojão já faz parte da paisagem urbana de Londrina. Quando quebra, a reclamação é geral. ‘‘O pessoal costuma ligar para a Folha para avisar’’, diz o técnico.
Ueda Tetsuo comenta que, apesar da idade avançada, o relojão é forte e dificilmente pára. Somente quando uma peça ou outra quebra é necessário um conserto mais cuidadoso, que pode durar até três dias. Mas basta uma manutenção periódica, que normalmente é feita a cada 15 dias, para manter os ponteiros em dia.
Em 26 anos, Tetsuo recorda que o maior problema que teve com o relojão aconteceu em 1986: na época, Londrina foi atingida por um forte vendaval, que conseguiu entortar os 3,4 metros do ponteiro dos minutos. O ponteiro teve que ser consertado em outro lugar e precisou descer os 15 andares do edifício pela escada, porque não cabia no elevador.
Para Ueda Tetsuo, o fato de cuidar de um objeto tão estimado em Londrina é motivo de grande satisfação. Ele conta que a função especial já o fez até ganhar apelidos carinhosos dos moradores, como ser chamado de o ‘‘Homem do Tempo’’. ‘‘Eu o conheço como se fosse um filho. E não é qualquer um que pode cuidar dele, tem que ser eu mesmo’’.Mario CesarO técnico Ueda Tetsuo, no alto do edifício América, conserta o relojãoLúcio Horta

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