Técnicas podem substituir ostomia e melhorar dia-a-dia de pacientes
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quarta-feira, 14 de outubro de 1998
Anna Camanducaia 
A ostomia, intervenção cirúrgica para instalação de uma bolsa coletora que permite eliminar os dejetos do organismo quando os aparelhos digestivo ou urinário não funcionam, já pode ser substituída por duas novas cirurgias. Em caso de tumor no reto e incontinência, os pacientes podem ser submetidos a anastomose (costura do intestino com o canal anal) ou graciloplastia dinâmica, na qual o músculo da coxa é usado para criar um novo esfíncter (músculo do ânus).
Apesar das novas técnicas, a ostomia continua sendo a solução para problemas que afetam o aparelho digestivo e urinário. A cirurgia é recomendada em situações como perfurações acidentais dos órgãos, câncer do reto, do intestino grosso ou da bexiga, e doenças inflamatórias intestinais com comprometimento do períneo. A ostomia não é uma cirurgia que deprime, é salvadora, avalia o proctologista Renato Bonardi.
A situação dos ostomizados será discutida a partir de hoje por profissionais de vários Estados, na Sétima Jornada Brasileira dos Ostomizados, que acontece em Curitiba. O evento foi aberto ontem à noite e vai até o dia 18.
Embora o preconceito ainda seja grande, fazendo com que os ostomizados se isolem, eles podem levar uma vida normal: trabalhar, conviver em sociedade, praticar esportes e ter relações sexuais. Segundo a presidente da Sociedade Brasileira dos Ostomizados, Cândida Carvalheira, existem 80 mil casos de ostomia nas 21 associações espalhadas pelo Brasil. No Paraná, são dois mil. Esses números devem ser muito maiores, disse.
Os ostomizados podem ter maior qualidade de vida com as novas bolsas para coletar as necessidade fisiológicas, que permitem maior confiabilidade porque não vazam, não exalam cheiro nem ficam salientes, segundo Bonardi.
Cândida, 50 anos, é ostomizada desde 1980 por causa de um câncer. Passou por muitas dificuldades. O marido foi embora e, no trabalho, queriam aposentá-la por invalidez. Sentiu-se marginalizada pela sociedade e prejudicada no aspecto sexual. Acham que você não merece mais um namorado só porque tem uma bolsa coletora, afirma. Hoje, Cândida diz que vive bem. Tomei consciência de que eu queria era estar viva.
A presidente da Associação Paranaense dos Ostomizados, Maria Madalena Tragante, 62 anos, fez ostomia há seis anos, por causa de câncer no reto. Acabou se isolando. Minha vida ficou triste, achava que aquilo era um castigo, disse.


