Técnicas garantem segurança de 99,9%
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quarta-feira, 20 de agosto de 1997
Edmara Michetti 
Londrina
Paulo WolfgangAyush Morad Amar, da PUCCampA evolução das técnicas usadas para a investigação de paternidade, chegando à comparação dos códigos genéticos (DNA) do trio mãe, suposto pai e filho, ampliou a margem de segurança do resultado do exame para 99,9%. Há um consenso mundial de que com mais de 99% de afirmação na investigação não há como duvidar da paternidade. A sentença judicial com um laudo com esse resultado sai rapidamente. A afirmação é do professor de Medicina Legal, Ayush Morad Amar. Há 36 anos, o médico fundou o Centro de Investigação de Paternidade de São Paulo, o mais antigo do Brasil.
Responsável por mais de 25 mil casos de investigação de paternidade, Amar esteve em Londrina na última semana proferindo palestra sobre o assunto para profissionais ligados ao Direito. Professor da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCamp), Amar mora em Miami onde trabalha numa rede internacional de laboratórios.
O problema do exame de investigação de paternidade ainda hoje no Brasil tem sido o preço, que varia entre R$ 400,00 e R$ 1 mil, tornando os testes quase inacessíveis às camadas mais carentes. A precisão da técnica do DNA faz do exame o mais caro. Mas, segundo Amar, essa realidade deve mudar, ao menos em Londrina, até o final do ano. A boa nova virá, de acordo com o médico, do laboratório Laborgene, instalado na Cidade há cinco anos, e ligado à rede que Amar trabalha. Estamos minimizando custos para tornar o exame acessível para a população de baixa renda, diz ele.
Os laboratórios muitas vezes fazem a investigação gratuita atendendo pedido de juízes. Nesses casos, porém, se usa o sistema de Histo Compatibilidade Humana (HLH) que oferece 66% de segurança. Segundo laboratoristas do Laborgene, os juízes preferem o HLH do que nada. No caso do DNA, o pagamento acaba sendo parcelado em quantas vezes o cliente propor. Nossa preocupação sempre é proteger a criança. Muitas vezes uma mãe - a grande sofredora nos processos de investigação de paternidade - espera três anos por uma sentença alimentícia, diz Amar.
O médico informa que o HLH surgiu em 1976 com a proposta de revolucionar a investigação de paternidade, mas logo foi ultrapassado pelo DNA. Até o aparecimento do HLH, segundo Amar, com a aplicação simultânea dos 23 sistemas disponíves, era possível atingir 75% de exclusão de paternidade.
Nessa época, segundo o médico, o sistema ABO, que era usado no Brasil, conseguia excluir apenas 16 homens entre 100 escolhidos aleatoriamente, independente de serem ou não suspeitos da paternidade em questão. Logo depois foi introduzida a técnica MN, que mesmo com maior margem de segurança só excluía 25 dos 100 supostos pais. Nessa época, afirma o médico, a junção dos métodos Rh, MN e ABO ofereciam exclusão de até 66%. O juiz, então, dava a sentença mais pelas provas circunstanciais e testemunhais que pelo exame de investigação de paternidade, afirma.
Em 1984, o inglês Alec Jeffrey, um pesquisador de DNA, descobriu a visualização do DNA. Até então o DNA não passava de uma gosma que servia para brincar de iô-iô nos laboratórios, ironiza. A primeira aplicação da descoberta de Jeffrey foi feita por ele mesmo, na investigação de dois crimes de estupro seguido de estrangulamento numa cidadezinha inglesa. Duas adolescentes foram mortas em dois meses e como Jeffrey trabalhava numa cidadezinha próxima foi requisitado para saber de quem era o material coletado no local dos crimes.
O médico Amar conta que o exame possibilitou a absolvição de um doente mental que teria assinado a confissão dos crimes. Mas na comparação, ele foi excluído, afirma Amar. Uma campanha de coleta de sangue foi realizada na cidade sem revelar o motivo. O verdadeiro estuprador foi descoberto quando um senhor idoso procurou Jeffrey diretamente, depois da campanha encerrada, insistindo em doar o sangue. Segundo Amar, o senhor dizia que seu vizinho teria pedido para ele ir ao laboratório e dar o nome dele que queria participar mas não tinha tempo. O criminoso tinha 37 anos, era casado e pai de dois filhos.
O médico relata que a probabilidade de se encontrar outro código genético igual por essas técnicas é de um em um trilhão. Nem a população mundial chegou lá, compara. A população mundial é de 5 bilhões de pessoas. O exame de DNA pode ser feito a partir do sangue, raiz do cabelo, polpa dental, medula óssea e sêmen.


