Técnicas de abordagem de rua
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sexta-feira, 17 de janeiro de 2014
Érika Gonçalves<br>Reportagem Local 
Londrina - Em uma praça, dois rapazes e uma moça pareciam apenas conversar. Durante a abordagem da Guarda Municipal porém, o local se mostra um ponto de tráfico de drogas e inclusive uma arma é encontrada. Todos são detidos e encaminhados para a delegacia. A situação é corriqueira, mas na verdade foi uma simulação para o treinamento dos novos guardas municipais em técnicas de abordagem, realizado no Autódromo Internacional Ayrton Senna (zona norte de Londrina), na manhã de ontem.
"Foi realizado o treinamento com duas turmas no ano passado, em setembro e novembro, com os guardas que já estavam em atividade. Agora iremos fazer novas turmas com os guardas que se formaram no final de dezembro. O objetivo é mostrar o que pode e o que não pode ser feito durante as abordagens", explicou o guarda municipal Nerildo Augusto Medeiros, que auxiliou nas instruções.
Na primeira parte do curso foram passados os conceitos teóricos. "O curso abrange situações de rua, informamos o que pode e o que não pode ser feito. Ensinamos que eles devem falar com firmeza, mas com educação", disse Medeiros. Participaram 23 guardas e outros 12 atuaram como figurantes, em quatro situações. Todas previam a abordagem a moradores de rua e usuários de entorpecentes em lugares públicos. Em cada uma delas a reação dos abordados era diferente, com vários graus de estresse e periculosidade.
Como em uma situação real, os guardas não sabiam o que iria acontecer. Um instrutor fazia orientações durante a ação e também a avaliação final, baseada na reação dos guardas municipais. Bruna de Fátima Morilhas, que participou do treinamento, destacou que mesmo sendo uma simulação, é bem próxima da realidade. "Mas na rua não tem ninguém para mostrar o que está errado e também não temos uma segunda chance. Acredito que deve haver vários treinamentos como esse durante o ano, porque assim ficamos mais seguros", afirmou.
Também formado recentemente, o guarda municipal Vinícius Ávila Santin destacou que o curso de abordagem visa a segurança não só do guarda, mas também de quem é abordado e do local. "O treinamento é bom para relembrarmos as instruções da formação."
Seu colega de turma, Altair Ignes de Souza, salientou que os treinamentos são importantes para se evitar erros. "Temos que ser firmes e às vezes as pessoas confundem o que está acontecendo. Somos orientados a ter cuidado e evitar essas interpretações", afirmou.
Armas
Durante as abordagens, os guardas usaram simulacro de armas de fogo, mesmo que o equipamento não esteja ainda disponível para uso. Segundo Medeiros, o treinamento procurou prever as formas de abordagem quando os guardas já estiverem armados.
O secretário de Defesa Social, Rubens Guimarães, explicou que na semana passada entregou à Secretaria de Segurança Pública o termo de cooperação técnica, para que a Escola Superior de Polícia Civil ministre o curso de tiros. "Estamos aguardando esse retorno para que possamos abrir a licitação, que deve ser mais rápida, mas ainda não temos uma data para que os guardas estejam armados."
Guimarães destacou que todos os guardas devem participar do curso de tiro, embora nem todos andem armados posteriormente. "A arma dá mais confiança durante a abordagem mas é preciso estar bem preparado para o uso dela. O uso arma durante o curso de hoje visa justamente treinar os guardas para esse uso durante a abordagem."


