''Nosso maior interesse é que a comunidade saiba que essa técnica existe. Existem inúmeros pacientes com perda auditiva que não conhecem este recurso. É muita gente que poderia estar ouvindo agora e não está somente porque não sabe sobre o implante.'' O chamado é feito pelo otorrinolaringologista, Orley Ferraz, responsável por trazer a equipe de Curitiba que realizou o primeiro implante coclear em Londrina. O procedimento é coberto pelo Sistema Único de Sáude (SUS).
O médico esclarece que o implante é indicado para pacientes com perdas auditivas profundas, que não tenham alcançado qualquer tipo de benefício com o uso do aparelho de surdez tradicional. Ferraz aponta que a adaptação é mais rápida em pessoas que perderam a audição quando já dominavam a fala mas garante que os surdos de nascença, como Gustavo, também têm ótimos resultados com o implante.
Ferraz lembra que o fundamental é que tanto o paciente quanto sua família tenham força de vontade para enfrentar o desafio. ''Uma das partes mais importantes da adaptação do implante coclear é a psicológica, porque é uma intervenção que necessita que o paciente esteja bastante interessado, motivado e engajado para encarar uma nova realidade em sua vida. A família também tem que estar estimulada porque existe um contexto social muito importante, principalmente quando o implante é feito em crianças.''
Outro trabalho essencial é feito pelas fonoaudiólogas, reforça o médico. Isso porque para quem nunca ouviu tudo é novo e cada som precisa ser aprendido e diferenciado de outros. ''Neste aspecto, a interação e ajuda da família também é importantíssima'', cita Ferraz.
O otorrino aponta que a técnica do implante coclear vem sendo desenvolvida desde os anos 1950, mas ainda é relativamente nova no Brasil. Ainda assim, os hospitais da Universidade de São Paulo em Bauru e em São Paulo sozinhos já realizaram mais de 1.200 procedimentos. No Paraná, o centro de referência baseado em Curitiba já teria feito mais de 70 implantes. (L.A.)

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