Técnica melhora qualidade de vida dos doentes de Aids
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de novembro de 1997
Célia Baroni 
Londrina
César AugustoNovo métodoOs professores Itagiba Moretti e André Bertoliero: sistema identifica parasita em doentes de AidsUma equipe de pesquisadores da Universidade Estadual de Londrina (UEL) é a primeira do Estado a diagnosticar a parasitose por microsporídio - protozoário que provoca diarréia crônica em pacientes com Aids. Formada pelos professores Itagiba Geraldo Moretti e André Luis Bertoliero e o estudante de Medicina Sergio Roberto Tiossi, a equipe trabalhou durante um ano e três meses.
Implantado como técnica de rotina, o sistema de identificação do parasita vai garantir melhor qualidade de vida para os doentes de Aids. A metodologia para o diagnóstico do microsporídio foi desenvolvida por pesquisadores em Atlanta (EUA) e só ficou disponível recentemente. A bibliografia chegou ao Brasil há cerca de um ano e, até agora, só tinha sido decifrada por dois grupos de pesquisa no Rio de Janeiro e em São Paulo.
Moretti explica que a técnica de identificação do protozoário é muito refinada e a bibliografia não detalha os procedimentos e índice de pureza dos produtos que devem ser utilizados para o diagnóstico. Pensei que iríamos demandar pelo menos dois anos para conseguir chegar à aplicação prática da metodologia, disse.
A diarréia crônica é de difícil controle, debilita rapidamente o organismo da pessoa com Aids e é considerada um dos principais fatores que agravam o quadro clínico colocando em risco a sobrevida do paciente. O diagnóstico do causador da diarréia permite um tratamento mais rápido e eficaz. O médico pode atacar diretamente o causador e não apenas as consequências como vem acontecendo, afirma Moretti.
Apesar das perspectivas, o diagnóstico do protozoário é apenas um primeiro passo para dominar o controle da diarréia em pacientes com Aids. O microsporídio é conhecido do meio científico há bastante tempo mas só se tornou alvo de pesquisa em 93, quando descobriu-se que ele parasitava um número significativo de pessoas com Aids. Em pessoas com o sistema imunológico ativo, o parasita é controlado pelo próprio organismo da pessoa e não provoca danos.
Moretti acrescenta que a aparente passividade do parasita fez com que os cientistas não buscassem métodos para combatê-lo e ainda hoje não existem medicamentos específicos contra ele. Pesquisadores dos EUA já conseguiram separar a cadeia genética do protozoário, o que deverá ajudar a descobrir medicamentos que possam eliminar o parasita, afirma o parasitologista.
Mesmo não existindo medicamentos específicos, Moretti enfatiza a importância do diagnóstico para um combate efetivo ao protozoário. Ele diz que existem muitos outros parasitas que provocam diarréia crônica entre os doentes de Aids e saber com precisão qual é o agente causador é indispensável para uma ação rápida e eficiente.
Há substâncias que atuam no controle do parasita que podem ser usados para melhorar a qualidade de vida do paciente enquanto não se descobre o medicamento eficiente, afirma. Agora, a meta da equipe é fazer com que o laboratório do Hospital Universitário (HU) adote a técnica de identificação do parasita, transformando a técnica de pesquisa em técnica de rotina. O pesquisador explica que o HU poderá adotar o diagnóstico ainda no começo de 98.


