Técnica inova no tratamento das consequências de lesões cerebrais
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 17 de setembro de 1997
Simone Mattos 
Curitiba
Albari RosaAlgodoal: Pacientes conseguem retomar atividades físicas em até 40% Uma técnica utilizada para corrigir desvios de postura ou para auxiliar na reabilitação de pessoas que apresentam comprometimentos cerebrais acaba de chegar a Curitiba. O método, desenvolvido na Suíça em 1972, é utilizado em larga escala nos países europeus e americanos. Não conheço ninguém no Brasil que já trabalhe com esta técnica, informa o fisioterapeuta Alexandre Agari Algodoal, que está trazendo o tratamento para o País.
A técnica denominada Ginástica com Bola Suíça é indicada aos pacientes que apresentam problemas de artrose, artrite, traumas provocados por acidentes, derrames, paralisia cerebral, dores lombares, cervicais e torácicas ou desvios de postura. Ela também pode ser utilizada para fins unicamente estéticos, explica Algodoal.
Ele aprendeu a técnica durante um curso que concluiu recentemente no Reabilitation Institute of Chicago, nos Estados Unidos. Tive a oportunidade de aplicá-la durante os três meses em que trabalhei no Reading Reabilitation Hospital, na Filadélfia (EUA) e no estágio que fiz no St. Pauls Hospital no Canadá, conta.
Nestes países os resultados são excelentes. No trabalho diário, constatamos que os pacientes conseguem retomar em até 40% suas atividades físicas normais, afirma.
O fisioterapeuta explicou que o método prevê o aumento da coordenação, da força e da flexibilidade no paciente. Com estes exercícios não trabalhamos apenas um grupo muscular, mas toda a musculatura do corpo humano, informa. Os resultados imediatos são a conquista de um aumento no equilíbrio, na noção temporal e de espaço e na manutenção da marcha ao andar.
Os exercícios são realizados com o auxílio de bolas de plástico especial, que resistem à pressão de até cem quilos. Cada sessão custa R$ 40,00. Em casos mais simples, como no tratamento de uma escoliose, por exemplo, recomendo em média de dois a três meses de tratamento, com duas sessões por semana, informa o fisioterapeuta. Em casos mais graves, como um paciente que foi vítima de derrame, o ideal é no mínimo seis meses de tratamento, com manutenção posterior.
Ele explicou que num paciente que sofreu derrame e teve uma lesão hemiplégica (comprometimento em metade do corpo), os exercícios são específicos para a manutenção da força muscular, alongamento e relaxamento. Os exercícios com a bola trabalhariam os dois lados da musculatura do corpo da mesma forma, incentivando uma retomada dos movimentos normais.


