Curitiba- Seis pacientes do Centro de Atendimento Integrado ao Fissurado Lábio Palatal (Caif), mantido pela Secretaria de Estado da Saúde, serão operados hoje com uma técnica inédita no Brasil. As intervenções cirúrgicas serão feitas no Hospital do Trabalhador por seis cirurgiões - três da Universidade de São Paulo (USP) e os demais do Caif e da Associação de Reabilitação e Promoção Social do Fissurado Palatal (Afissur) - e aproximadamente 15 profissionais de apoio. O procedimento ocorrerá em duas salas de cirurgias simultaneamente e levará em torno de seis horas.
A técnica substitui o método tradicional de implante ósseo com enxerto retirado de regiões como a bacia do paciente. A novidade é um produto à base de proteína morfogenética, o BMP (Bone Morphogenetic Protein), produzido nos Estados Unidos, que, injetado na região da gengiva, induz o desenvolvimento do tecido ósseo do próprio paciente. De acordo com o diretor técnico do Caif, Marco Aurélio Gamborgi, o método reduz o sofrimento do paciente e simplifica o processo cirúrgico.
''É uma pesquisa que está no começo. Depois destas seis cirurgias, teremos outras quatro com a técnica do BMP e dez com o procedimento tradicional. Então faremos uma avaliação dos resultados. Se algum implante com o novo produto não der certo, ainda temos a possibilidade de fazer o enxerto ósseo tradicional'', explica Gamborgi.
Os seis pacientes, entre sete e 12 anos - idade ideal para o procedimento -, foram escolhidos após uma série de exames realizados na última semana. Danusia Kotovicz comemorou quando soube que a filha Kauane, de 8 anos, tinha sido selecionada. ''Fiquei bem mais tranquila quando soube que não seria necessário fazer a incisão na bacia da minha filha. Claro que ainda dá um pouco de medo por ser uma operação ainda experimental, mas acho que vale a pena tentar'', conta. Se tudo der certo, Kauane já estará em casa amanhã na hora do almoço.
Segundo Gamborgi, atualmente o Caif atende cerca de 6 mil fissurados. O atendimento é gratuito, feito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A proporção de crianças que nascem com o problema é de uma a cada mil, destas, apenas 50% têm comprometimento ósseo.

Serviço - Mais informações sobre o Caif pelo fone (41) 3247-1137; e-mail: [email protected]

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