Técnica deixa estômago
do tamanho de um copo
A gastroplastia restritiva com derivação intestinal consiste em criar um hall de entrada no estômago pela aplicação de grampos metálicos delicados, de aço titâneo, chamados de sutura mecânica. Estes grampos vão restringir a capacidade do estômago, que normalmente é entre 1,5 mil a 1,7 mil mililitros (ml) para apenas 30ml (um copinho descartável para cafezinho). Assim, quando o reservatório gástrico recebe 30ml de alimento, o paciente já tem a sensação de estar cheio. A pessoa passará, então, a comer devagar e várias vezes. Somando o volume ingerido no final do dia, ele terá comido apenas 10 a 20% do que teria ingerido em seus tempos de obesidade. Com isso, há uma queda progressiva de peso.
O paciente vai ter que reaprender a comer, devagar e bem mastigado. Nos primeiros 40 dias, sua alimentação será líquida e pastosa e, após este período, a pessoa começará a se adaptar aos outros alimentos. ‘‘Alguns podem comer de tudo, outros não podem ingerir carne vermelha’’, diz Alcides Filho, explicando que a carne é um alimento de difícil digestão.
No pós-operatório, o paciente terá acompanhamento médico por pelo menos um ano, com avaliação laboratorial, psicológica e nutricional constante. ‘‘A mudança de vida é muito grande e ele precisa de uma boa orientação’’, diz o médico Marchesini. Como a quantidade de comida diminui, por exemplo, é preciso garantir sua qualidade nutricional. Psicologicamente também há riscos. ‘‘O obeso vive pensando em comida e quando a compulsão desaparece, ele pode ter um surto de depressão’’, comenta Marchesini. Ele diz, ainda, que após alguns meses, o paciente perde a compulsão por comida, mas acaba ficando compulsivo em outras áreas, como no trabalho ou em exercícios físicos. Além da dieta, os médicos insistem, ainda, na necessidade de se fazer exercícios após a cirurgia.
Após 12 a 15 meses da operação, o paciente precisará se submeter a uma cirurgia plástica para retirar o excesso de pele. Os médicos defendem que este procedimento seja também custeado pelo SUS, já que não se trata apenas de uma cirurgia estética, mas também de uma necessidade higiênica. ‘‘O SUS tem que garantir o tratamento completo’’, diz Marchesini. (M.G.)

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