Kraw PenasFelício: ‘‘Quando olhavam, tinha certeza que observavam minha orelha’’Novas técnicas cirúrgicas estão ajudando os médicos a resolver um problema estético comum entre a população e que incomoda principalmente as crianças em idade escolar. As orelhas proeminentes - ou ‘‘em abano’’, como são conhecidas popularmente - podem ser corrigidas por cirurgias rápidas e que costumam levar em média uma hora para serem realizadas. Sem cicatrizes aparentes, as intervenções cirúrgicas podem ser feitas a partir dos seis anos de idade, quando a cartilagem já está quase completamente formada.
O cirurgião plástico Antônio França, presidente da regional paranaense da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, afirma que as orelhas em abano são causadas por um defeito congênito, resultado da falta de uma estrutura conhecida como ‘‘anti-hélix’’. ‘‘Somente possuem orelhas em abano as pessoas que nascem sem o elemento anatômico responsável pela formação de uma das principais dobras da orelha’’, explica.
As cirurgias costumam ser um pouco doloridas, principalmente quando são feitas na idade adulta e quando o problema é muito acentuado. Os resultados, segundo o médico, também tendem a ser melhores se a cirurgia é realizada na infância. Depois de retirados os curativos, os pacientes precisam dormir com faixas de tenista na cabeça durante quase um mês, para evitar que as orelhas sigam sua ‘memória cartilagiosa’ e retornem à posição anterior.
O microempresário Lauro Nilo Felício, de 26 anos, disse que sempre quis fazer a cirurgia corretiva, para se livrar do incômodo de ter as orelhas proeminentes. Felício conta que, quando criança, era chamado de ‘‘orelhudo’’ pelos colegas de escola e que até há pouco tempo sentia que suas orelhas chamavam atenção. ‘‘Sempre que alguém olhava para mim, eu tinha certeza que estava observando minha orelha’’, diz.
Operado há pouco mais de cinco meses, Felício diz que ainda sente algumas dores, principalmente na hora de dormir. Mesmo assim diz que não se arrepende de ter investido cerca de R$ 2 mil para se livrar do trauma. ‘‘Estou mais feliz agora’’, garante.
O cirurgião plástico afirma que muitos adultos que chegam até seu consultório costumam relatar traumas de infância causados pelo formato das orelhas, fator que pode até mesmo ser responsável pelo comportamento tímido e retraído de algumas pessoas. Segundo o médico, muitas crianças também admitem que não falam sobre o assunto com os pais com medo de serem ridicularizadas. ‘‘Elas contam que destestam ser chamadas pelos coleguinhas de ‘dumbo’ e ‘fusca de porta aberta’’’, diz.

mockup