Teatro para alertar e denunciar
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segunda-feira, 12 de maio de 2014
Viviani Costa<br>Reportagem local 
Londrina Cinco estudantes a espera do ônibus que vai levá-los a um lugar onde não há violência. A peça encenada ontem de manhã por alunos da Escola Municipal de Teatro/Funcart marcou o início das atividades em comemoração ao Dia Nacional de Combate ao Abuso e a Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, lembrado em 18 de maio. O diálogo rápido revela o comportamento das vítimas de violência física e psicológica que escondem a dor numa tentativa de evitar sofrimento maior para familiares e amigos.
Os personagens apresentam dramas diferentes ao público durante uma conversa em frente a um ponto de ônibus. Entre as confissões estão a estudante que é abusada sexualmente pelo próprio pai, o amigo obrigado a trabalhar para ajudar no sustento da família e a garota negligenciada pela mãe que resolve fugir.
Aproximadamente 50 pessoas acompanharam atentamente a encenação na Praça da Juventude da zona sul de Londrina. A peça de teatro causou reações diversas na plateia formada por crianças de centros de educação infantil e de escolas do Ensino Fundamental. Enquanto várias riram da forma como os personagens revelaram cada drama, outras assistiram sem esboçar reação. Uma menina de apenas quatro anos chorou, do início ao fim.
A auxiliar de supervisão em um CEI, Claudete Borges Cardoso, acompanhou a aluna. Após a peça de teatro, elas participaram de oficinas para discutir o tema. Claudete comentou que a menina receberá uma atenção especial para verificar se há casos de violência na família. E elogiou a iniciativa. "Cada criança reage de um jeito sobre esse tema e é importante observarmos esse comportamento. Nesta semana vamos dar continuidade aos trabalhos em sala de aula de forma lúdica com brincadeiras e conversas. Vamos falar sobre o corpo, o que é um carinho bom, o que é um carinho ruim", exemplificou.
A estudante Ana Julia Moraes, de 11 anos, gostou das atividades. "Eu não acho certo os pais falarem daquele jeito, mas eu sei que acontece. As pessoas têm que ter respeito pelas crianças porque elas têm direito", afirmou. A menina deu ainda exemplo de casos de violência. "Minha amiga, que morava perto de mim, apanhava da mãe dela. Ela procurou ajuda e agora está com a avó."
Atendimento
De acordo com a Secretaria Municipal de Assistência Social, 800 famílias de Londrina recebem acompanhamento por apresentarem casos de violência contra crianças ou adolescentes. A psicóloga do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas 3), Sara Toninato, destacou que há aproximadamente 290 casos de violência na região sul. "A zona sul é a que mais notifica casos. Os números têm aumentado. A simples suspeita de violência precisa ser encaminhada ao Conselho Tutelar e investigada", alertou.
As atividades de combate a violência envolvem as secretarias municipais de Assistência Social, Cultura, Saúde e Educação e seguem até o dia 28 deste mês. O objetivo é incentivar as vítimas a denunciar casos de abuso e procurar ajuda.


