Um grupo de pessoas com problemas de linguagem encontrou no teatro uma maneira de se reintegrar na sociedade. Através da dramatização eles criam personagens e desenvolvem a sociabilidade e a auto-estima. O ‘‘Teatro de Áfasicos’’, realizado pelo curso de Fonoaudiologia da Universidade Norte do Paraná (Unopar), é um projeto inédito no Brasil.
O grupo, formado por 13 pessoas, se juntou há cinco anos para tratamento fonoaudiológico, mas a idéia de uma peça teatral surgiu em fevereiro deste ano. A Orientadora Fonoaudiológica do grupo, Rosinei Cernescu, contou que a idéia partiu de um projeto semelhante a esse, que existe no Canadá. ‘‘As pessoas que participavam deste tipo de atividade se recuperavam melhor , então resolvemos propor algo semelhante aqui’’, salientou.
A afasia, perda da linguagem, é decorrente de um Acidente Vascular Cerebral (A.V.C.) – um derrame cerebral. Pode ser causado por diversos fatores, como acidentes automobilísticos, arma de fogo, alterações da pressão arterial, diabetes e outros.
O projeto, relatou Roseli, é uma tentativa de voltar a inserir os pacientes na sociedade. Segundo ela, muitas pessoas que perdem a fala sentem-se limitados por não terem uma comunicação efetiva como antes e acabam se isolando. O objetivo do trabalho é que através da reeducação das habilidades linguísticas e dos jogos de improvisação do teatro as pessoas consigam superar os seus limites.
Para Otaliba Buranello, 55 anos, a atividade teatral ajudou no tratamento fonoaudiológico e aumentou sua auto-estima. Ele teve A.V.C. há 13 anos, nos três primeiros anos ele não pronunciava nenhuma palavra. Agora, com uma certa dificuldade, consegue falar. ‘‘Eu adoro fazer teatro e a atividade também me ajuda bastante’’, disse Buranello.
De acordo com o professor de teatro Rogério Ferraz, que está orientando o grupo, o trabalho é gratificante, mas exige muita paciência, pois se trata de pessoas com difilcudades na comunicação verbal. ‘‘Eles são especiais e eu tento aproveitar as qualidades de cada um’’, reforçou. Ferraz contou que o teatro é uma arte muito rica no que diz respeito à comunicação e que os gestos, as mímicas e as ações físicas no palco são muito utilizadas nesse trabalho.
A peça mostra um casamento caipira. A idéia foi dos próprios participantes. ‘‘Eles queriam algo alegre e relacionado com festa junina’’, contou o professor. Ferraz explicou que entregou o roteiro ao grupo, mas não escreveu diálogos. ‘‘Baseado no roteiro eles desenvolvem a história e suas próprias falas’’, acrescentou.

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