Curitiba- O Tribunal de Contas da União (TCU) citou ontem as empresa J. Malucelli Construtora e Nateec Planejamento e Serviços para que justifiquem um débito de R$ 2,7 milhões decorrente de irregularidades constatadas pelos auditores do TCU nas obras de restauração e pavimentação da BR-476, a Estrada da Ribeira. Segundo o TCU, o projeto original de terraplanagem do trecho que liga Adrianópolis a Bocaiúva do Sul (Sul do Estado) foi alterado apenas sete meses após o início da obra em 2000, o que elevou o custo indevidamente.
Além das empresas, o coordenador do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), responsável por acompanhar a obra, Rosalvo de Bueno Gizzi, e o engenheiro Ronaldo de Almeida Jares, também foram citados no processo. Eles foram multados em R$ 3 mil e R$ 4 mil, respectivamente, por não acompanharem adequadamente os serviços executados pela empreiteira.
Além das supostas irregularidades no projeto de terraplanagem, o TCU também investiga indícios de superfaturamento na compra de brita pela empresa J. Malucelli. Segundo uma auditoria realizada pelo TCU no início do ano passado, havia ''fortes indícios'' de irregularidades na compra do insumo. Os auditores levantaram a hipótese de que os preços poderiam ter sido majorados em até R$ 5 milhões além do previsto originariamente.
Os auditores do TCU passaram a investigar a compra de brita após o contrato original para a restauração da BR-476 ter sido alterado em virtude da não-concessão de uma licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para que a J. Malucelli utilizasse o material de uma pedreira de Tunas do Paraná. A empresa assinou um contrato em 2001 prevendo a compra da brita da empreiteira Rafael Greca e Filhos, de propriedade do deputado estadual Rafael Greca (PMDB).
Na auditoria, porém, foi comprovado que a brita nunca foi comprada da empreiteira de Greca. A J. Malucelli alega que estaria comprando o produto pelo mesmo preço de uma outra pedreira, mas recusou-se a apresentar as notas fiscais. Os auditores do tribunal suspeitam que a empresa teria utilizado a brita de sua própria pedreira, ficando com a quantia a mais paga pelo governo federal após a revisão do contrato. O TCU determinou novas diligências para apurar a origem da brita utilizada até agora.
A Folha procurou os engenheiros do Dnit mas eles não foram encontrados. A reportagem também fez contato com o departamento de marketing da J. Malucelli mas foi informada que não havia ninguém autorizado a dar informações.

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