TCGL “empresta” motoristas de outras empresas para cumprir medida judicial
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sexta-feira, 05 de abril de 2019
Isabela Fleischmann 
No segundo dia de greve de funcionários da TCGL (Transportes Coletivos Grande Londrina), os trabalhadores seguem mobilizados. Logo no começo da manhã, motoristas e cobradores cruzaram os braços na frente da garagem da empresa. A TCGL prosseguiu com o serviço funcionando parcialmente, emprestando motoristas da TIL e da Expresso Maringá. Uma audiência de conciliação que tenta dar fim à greve está sendo realizada neste momento.

A Justiça acatou na quinta-feira (4) um pedido da TCGL para que 50% dos ônibus operassem em horários de pico, entre 5h às 9h e 17h30 às 19h. Nos demais horários, a medida estabelece uma frota mínima de 40%. Para os itinerários da ExpoLondrina, que começou nesta sexta-feira (5), são 80% das linhas entre as 17h e 20h e das 23h às 4h).
Mas, segundo João Batista da Silva, presidente do Sinttrol (Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Londrina), embora alguns ônibus tenham deixado a garagem da TCGL nesta manhã, a medida judicial não deve ser totalmente cumprida, já que não há mão de obra suficiente para atingir a porcentagem estabelecida.
“O sindicato não pode obrigar ninguém a trabalhar. A maioria dos motoristas estão aqui mobilizados nesta manhã, não tem funcionário para cumprir os 50%”
João Batista da Silva, presidente do Sinttrol -
“O sindicato não pode obrigar ninguém a trabalhar. A maioria dos motoristas estão aqui mobilizados nesta manhã, não tem funcionário para cumprir os 50%”, alegou. Em caso de descumprimento, a medida judicial estabelece multa de R$ 50 mil. Além disso, será multado o funcionário que fizer bloqueios.
“Tem que problematizar. Se tiver furo de greve para trabalhar 50%, esses funcionários vão aguentar trabalhar o dia inteiro sozinhos?”, questionou.
Segundo o sindicalista, a empresa não pode contratar funcionários exteriores. “Quem ver motorista de outra empresa furando a greve pode dar um peteleco nele”, chegou a dizer aos trabalhadores.
Batista disse ainda que o pagamento dos dias parados será “outro pepino”, já que o empregador pode descontar do salário dos funcionários que aderiram à greve. “O segundo dia de greve está se configurando e vamos esperar que essa vitória venha hoje. Bastasse ter boa fé, não era para ter greve. O acordo foi fechado em dezembro. Queremos o mesmo acordo de 2018, qual é a novidade? Queremos os 4% da inflação. Nada de extraordinário”, ponderou.
Esses 4% foram concedidos pela empresa como abono salarial, ou seja, não são concedidos em casos de contratos rescisórios. A empresa ainda ofereceu pagamento da PLR (Participação nos Lucros e Resultados) em duas parcelas.
Atualmente, a TCGL opera em um contrato emergencial prorrogado após a suspensão da licitação do transporte coletivo pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado), reivindicada pela própria TCGL, que acredita em falhas no edital proposto.
AUDIÊNCIA
Uma audiência na terça-feira (2) tentou uma conciliação sem greve, mas não foi possível. Já nesta sexta-feira (5), uma reunião conciliatória tenta pôr fim à greve dos trabalhadores da TCGL. O juiz Carlos Augusto Penteado Conte, da 2ª Vara do Trabalho, conduz a audiência.No início da reunião, que pode culminar com o fim do movimento grevista, o advogado da TCGL argumentou que logo após o término da reunião do dia 2, já foram divulgados áudios incitando o movimento. Segundo a defesa da TCGL, a empresa respeita os direitos do trabalhadores em greve e em momento algum quer impedir que isso aconteça, mas que foi firmado um compromisso de que a proposta grevista fosse colocada em votação em assembleia.
De acordo com a defesa da empresa, a votação foi informal e os cerca de 400 votantes representam uma porcentagem pequena da empresa, que tem 1.300 funcionários. Também participa da reunião de conciliação o diretor de transportes da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Wilson de Jesus. Antes da audiência, ele disse que a ideia é que o poder público ouça a colocação de ambos os lados. “Vamos verificar de qual forma o poder público pode contribuir. Em janeiro tivemos novo valor de tarifa, uma condição que foi apresentada a ambas as partes, os reajustes de 4% a título de abono em razão da nossa discussão do processo licitatório. O que se reivindica agora são algumas alterações”, pontuou.
Segundo Jesus, o que está sendo colocado agora é um processo transitório, já que a licitação terá continuidade. “O vencedor do certame discutirá com a categoria os valores. Que o bom senso prevaleça em relação ao atendimento. Sabemos que cerca de 60 mil londrinenses precisam do transporte”.
Quanto às áreas de concessão do serviço para cada empresa, o diretor disse que “o martelo já está batido” nesse aspecto do processo licitatório e que ele é pensado de maneira que qualquer empresa que preencha os requisitos possa participar. “O de melhor proposta será o vencedor”. A ideia é que o edital seja publicado até o vencimento do contrato atual. “Os estudos estão sendo finalizados, há uma discussão jurídica junto ao Tribunal de Contas para republicar o edital. Toda discussão do Tribunal vai passar por processo de auditoria”. Segundo Jesus, todos esses impasses não estariam acontecendo se a licitação tivesse sido bem sucedida em dezembro do ano passado.
TERMINAIS
Pela manhã, correria e disputa pelos poucos ônibus lotados no terminal central. Nos terminais de bairro, com menos oferta de ônibus, a população teve que se apertar para ir ao trabalho. No terminal do Vivi Xavier, o movimento de ônibus da TCGL era regular na manhã desta sexta-feira. Camila Tiemi Sagai esperava sua linha. “Ontem tive que pegar mototáxi”, disse.
O ônibus de Vanete Macedo estava atrasado. “Ontem meu filho teve de sair mais cedo do trabalho para me buscar porque não tinha ônibus. Mas eu sou a favor da greve. Se eu fosse motorista não voltava a trabalhar, o Brasil está parado temos que lutar”.
No terminal do Milton Gavetti, Ana Lúcia Sanches, aguardava o ônibus. Ela pega o 806, que estava atrasado. “Se não conseguir pegar o ônibus vou trabalhar de mototáxi”. Gláucia Catielli também esperava. Ela saiu até mais cedo de casa, para garantir a chegada no serviço pontualmente. “Ontem tive que dormir na casa da minha mãe, perto do trabalho, porque não tinha ônibus para voltar”, contou.


