TCGL e Francovig agora dividem ruas
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de janeiro de 1997
Lucília Okamura 
Paulo WolfgangTete a teteJosé Lopes e Francisco Francovig: anúncio antecipado para ajuste dos detalhes operacionais
As empresas Transportes Coletivos Grande Coletivo (TCGL) e Francovig deverão operar no sistema de transporte coletivo na área urbana a partir de terça-feira. A decisão foi anunciada ontem pelo prefeito Antonio Belinati, que acredita ser a melhor forma para resolver o problema no setor após o dia 27, quando vence o contrato de concessão exclusiva da administração municipal com a TCGL.
Antônio Belinati anunciou a medida após ficar reunido durante três horas com o secretário municipal de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira, e o diretor-presidente da Companhia Municipal de Urbanização, Cléber Tóffoli. Ele explica que irá baixar um decreto de permissão para que a Francovig e a TCGL operem no transporte coletivo por tempo indeterminado, até que seja realizada a licitação para 100% das linhas do transporte na área urbana. O processo está parado devido a ações judiciais.
De acordo com o prefeito, a Grande Londrina continuará trabalhando em toda a área urbana, com exceção de 10 linhas da zona sul, que abrangem uma área entre os ribeirões Tucano e Cambé. As linhas Roseira, Ouro Branco, Tito Leal, Cafezal, União da Vitória, Perobal, Jamile Dequech, São Miguel, Adriana e Terminal Acapulco serão operadas pela Francovig. Estas linhas correspondem a aproximadamente 15% do total da zona urbana.
Na opinião do prefeito, mesmo que temporariamente, está quebrada a exclusividade da Grande Londrina. Para tomar esta decisão, ele diz ter levado em conta também a vontade da população, que é a favor de concorrência no setor. Para baixar o decreto de permissão, Belinati afirma estar amparado na Justiça e lembra que a atribuição sobre o transporte coletivo é de exclusividade do prefeito. Ele revela, no entanto, que nada impede que alguém ou alguma empresa ingresse na Justiça contra a medida.
Ontem, no final da tarde, o presidente da Comurb se reuniu com o diretor da TCGL, José Lopes, e com o diretor da Francovig, Francisco Henrique Francovig, para comunicar o fato oficialmente e discutir detalhes operacionais. José Lopes diz ter sido pego de surpresa com o decreto permissionário, já que esperava um anúncio somente na segunda-feira. Cléber Tóffoli explica que o anúncio foi adiantado justamente para dar tempo deles discutirem detalhes operacionais.
Com parte da frota
inoperante, TCGL
diz que pode haver
demissões na empresa
O diretor da Grande Londrina preferiu não opinar a respeito porque não tinha informações da íntegra do decreto. Segundo ele, após analisar o documento, decidirá se convém ingressar na Justiça contra a medida. Ele admite ainda que pode haver demissões na empresa, já que parte da frota ficará inoperante.
O sócio-gerente da Francovig, Francisco Francovig, afirma que a decisão do prefeito se constitui em uma vitória para sua empresa. No dia 15 deste mês, a Francovig havia protocolado um requerimento na prefeitura e na Comurb se oferecendo para prestar o serviço justamente nas linhas anunciadas por Antônio Belinati.
Apesar de ressaltar que precisaria de mais detalhes, Francisco Francovig adianta que a frota deverá ser aumentada em 58 ônibus e terá de contratar mais 300 funcionários para operar nas 10 linhas da zona sul. Ele admite que será difícil conseguir mão-de-obra até terça-feira. A Francovig conta atualmente com uma frota de 55 carros e tem 200 funcionários. José Lopes diz que se não houver tempo hábil de executar as mudanças até terça-feira, a empresa continuará trabalhando normalmente.
Para operar na zona sul, a Francovig se propõe a oferecer uma tarifa de R$ 0,55 - atualmente, o valor da tarifa da empresa é de R$ 0,50. Francisco Francovig afirma que com o aumento, terá condições de reajustar o salário de seus funcionários. O motorista, que atualmente ganha R$ 336,00, passará a ganhar R$ 576,00 - salário oferecido pela TCGL. Isso vai ser feito para não criar um problema social, ressalta. A tarifa da TCGL é de R$ 0,60.
Devido à reunião com os dois secretários, Belinati não atendeu uma comissão de vereadores que foi à prefeitura para discutir justamente a questão do transporte coletivo.


