Os taxistas que trabalham no Aeroporto Regional de Maringá estão revoltados com a presença de um ônibus especial do transporte coletivo urbano. Eles classificam a concorrência de ‘‘desleal’’. Equipado com ar condicionado, poltronas executivas, televisão e videocassete, o ônibus faz a linha entre o aeroporto e os hotéis do centro da cidade. O preço da passagem é o mesmo da linha convencional de R$ 1,00, enquanto uma viagem de táxi, na faixa da bandeira um, não sai por menos de R$ 20,00.
O novo aeroporto entrou em operação na semana passada. Além de liberar a linha com ônibus especial, a prefeitura também abriu licitação para mais 13 táxis, sendo sete para trabalho imediato e outros seis de ‘‘reserva’’ para quando o movimento do novo aeroporto exigir o aumento de frota. Atualmente, trabalham sete taxistas que atuavam no antigo terminal e outros sete provisórios que esperam o final do processo de licitação.
Segundo o taxista Paulo Cortês, que há 20 anos trabalha no ponto do aeroporto, é quase inevitável uma redução ‘‘drástica’’ no número de passageiros. Ele ainda não quantificou a perda por causa do ônibus especial. ‘‘Mas é só uma questão de tempo, pois assim que o pessoal descobrir e se acostumar com os horários do ônibus nós vamos perder muitos clientes’’, diz Cortês. Os próprios taxistas admitem que o ônibus especial é ‘‘confortável e barato demais’’ quando comparado com um táxi.
O taxista Pedro Merlos Martins, que também atua há 20 anos no ponto do aeroporto, lembra que em outras cidades, como Londrina, não existe ônibus diferenciado para o terminal. ‘‘Não podemos concordar com uma concorrência tão desequilibrada como esta’’, disse Martins. Para ele, não será fácil resistir na profissão até que de fato o aeroporto de Maringá tenha uma demana comparada aos grandes centros. ‘‘Estamos em uma cidade que ainda não comporta isso’’, ressaltou o taxista.
Para o secretário municipal de Transportes, Renato Bariani, pasta responsável pela autorização do ônibus especial, a prefeitura quis oferecer um serviço de qualidade para melhorar a classificação do aeroporto e tentar até obter a denominação de internacional. Segundo o secretário, um fiscal irá acompanhar o número de partida dos táxis para constatar a redução ou não do serviço por causa do ônibus especial.

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