O taxista é o cartão de visita da cidade. Esta é a mensagem que o condutor de táxi gaúcho José Cestari Ávila quer passar aos profissionais londrinenses em duas palestras promovidas pelo Londrina Convention & Visitors Bureau (LCVB) a serem realizadas no auditório da Associação Comercial de Londrina (Acil) este fim de semana, em Londrina.
Há 15 anos, Ávila trocou os serviços de representante comercial pelo táxi e encontrou nas ruas de Porto Alegre um modo mais rentável de sobrevivência. Ele trabalha na Rodoviária da capital gaúcha, que é considerada o maior ponto fixo de táxis do Brasil, com 386 veículos. Além disso, desde 2001, o taxista vem fazendo palestras motivacionais pelo Brasil com o intuito de capacitar condutores sobre a importância do taxista para o turismo das cidades.
''Ensino que o taxista tem que estar sempre alegre e disposto a receber quem chega e que nunca deve falar mal da cidade'', diz Ávila. Segundo ele, o turista-passageiro gasta perto de US$ 100 a US$ 120 por dia entre táxi, hotel, restaurante e artesanato e faz, em média, três corridas diárias quando está numa cidade diferente.
''Quem não se atualiza está fora do mercado'', define o taxista. Para ele, o motorista de táxi deve conhecer pelo menos 90% do que há na cidade e saber qual o potencial turístico que o município oferece, seja ele religioso, de eventos, de serviços ou as tradicionais belezas naturais.
Outra dica do palestrante é ter sempre à mão mapas da cidade, do Estado e da região, além de guias de hotéis e restaurantes. ''O taxista deve propiciar que o turista-passageiro seja bem informado'', sugere Ávila. Segundo ele, a aparência do veículo e do motorista também é fundamental na conquista do cliente.
''O carro deve estar sempre limpo e o motorista, barbeado. É importante também colocar uma música suave para estabelecer um clima de tranquilidade na viagem'', completa o taxista, que costuma estabelecer parcerias com hotéis e restaurantes da cidade.
Ávila desenvolveu o conteúdo das palestras sozinho e recebe apoio do Convention Bureau, de uma rede de hotéis, de uma agência de viagens de Porto Alegre e do Festival de Turismo de Gramado na divulgação de seu trabalho. ''Normalmente as palestras são gratuitas e destinadas não só para taxistas como também para gerentes de hotéis e restaurantes que aprendem a trabalhar em parceria.''
Pai e filho, os taxistas Dorival Camilo e Marcio Guaibara Parra já participaram de uma capacitação no ano passado e gostaram da idéia de reciclar informações. ''A gente já sabe que o taxista é o cartão de visita da cidade, mas nunca é demais aprender'', opina Dorival.
Dorival trabalha há três décadas em Londrina, sendo 18 anos no Terminal Rodoviário, e até faz pequenas parcerias com hotéis da cidade, mas para ele, hoje, está difícil trabalhar. ''O dinheiro está escasso e as pessoas não pegam muito táxi'', afirma o taxista.
Marcio, que já trabalha há oito anos na profissão, também acha que ''apesar de conhecer bem o dia-a-dia, toda informação a mais é lucro''. Segundo ele, a maior parte dos turistas que vêm a Londrina está na cidade a trabalho, por isso o lado turístico do município ainda é pouco explorado pelos taxistas. ''Até conheço os melhores lugares da cidade, tenho uma listinha e indico bons hotéis e bons restaurantes, mas costumo indicar conforme o bolso do cliente.''
Serviço- As palestras acontecem amanhã e domingo, no auditório da Acil. Inscrições pelo telefone (43) 3344-1700.

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