Taxistas param ruas do centro de Foz
Ney de SouzaReivindicaçãoTaxistas que participaram do movimento querem que a prefeitura tome providências para coibir o serviço de mototáxiCerca de 500 taxistas e donos de táxis realizaram ontem pela manhã, nas ruas centrais de Foz do Iguaçu, um protesto contra a atuação de mototaxistas e taxistas paraguaios na cidade, que segundo eles, seriam responsáveis pela queda de 70% no movimento nos últimos dois anos.
Depois do protesto, a direção do Sindicato dos Condutores Autônomos de Veículos Rodoviários de Foz, entidade que representa os taxistas, participou de reunião com o secretário municipal de Governo, Paulo Ynoue.
Os taxistas querem que a prefeitura tome providências para coibir o serviço de mototáxi, que atua ilegalmente desde o começo do ano passado. A categoria alega que a concorrência é desleal porque uma corrida de mototáxi pode custar até 80% mais barata.
Eles também reivindicam que os taxistas paraguaios que circulam livremente pelas ruas da cidade sejam proibidos de retornar para Ciudad Del Este, no Paraguai, com passageiros que eles apanham em Foz.
Num acordo feito no ano passado, entre a Prefeitura de Foz e a Prefeitura de Ciudad del Este, ficou acertado que os taxistas das duas cidades não poderiam apanhar passageiros fora do país de origem.
Semana que vem, o diretor municipal de Transportes Urbanos, José Ferreira, deve se reunir com o prefeito de Ciudad del Este, Juan Carlos Barreto, para solicitar que o acordo seja cumprido.
Os taxistas brasileiros alegam que o acordo não está sendo cumprido pelos taxistas paraguaios, que chegam a passar em pontos de ônibus e hotéis para apanhar passageiros, cobrando apenas R$ 1,00 por pessoa. Uma corrida num táxi brasileiro do centro de Foz até Ciudad del Este custa em média R$ 10,00. Já os mototaxistas cobram R$ 2,00 pela mesma corrida.
Segundo o tesoureiro do sindicato, Valdemir Tontini, durante a reunião a prefeitura se comprometeu a fechar as empresas de mototáxi. Nós vamos aguardar pelo menos uma semana para que a prefeitura feche todos os pontos. Caso contrário teremos que fazer novos protestos até que tenhamos o serviço de mototáxi paralisado. Se no futuro, existir uma lei que autorize o mototáxi nós vamos respeitar. Mas atualmente é ilegal, disse.
Durante a reunião, a administração municipal se comprometeu com os taxistas de começar a fechar ainda ontem as empresas de mototáxi da cidade. Segundo informações da prefeitura, os pontos serão fechados gradativamente. Os proprietários serão notificados e os escritórios lacrados. Até o final da tarde de ontem nenhum ponto de mototáxi havia sido fechado.
O presidente da Associação de Mototáxi, Motoentrega e Similares de Foz do Iguaçu, Jacir Ferreira, disse ontem à Folha que todos os mototaxistas já estão alertados para a ação da prefeitura e que mesmo assim deverão continuar com o serviço. Faremos procedimentos para driblar a fiscalização da prefeitura. Vamos fazer troca de pontos, trabalhar com telefone sem fio, e assim por diante. O que nós precisamos é ganhar tempo para entrar com novo projeto na Câmara Municipal, afirmou.
Ferreira disse também que a reivindicação dos taxistas é injusta porque os passageiros que utilizam o mototáxi não são os mesmos do táxi. O nosso cliente é outro, é aquele que ganha menos, que não tem como pagar um táxi normal. Nosso cliente é o mesmo que usa ônibus. Nosso trabalho não é o que está atrapalhando o serviço dos taxistas. O que está atrapalhando é a crise econômica do País e as novas vagas oferecidas pela prefeitura.





