Curitiba - O suposto linchamento de Eduardo Cordeiro de Lima, 19 anos, que teria tentado assaltar um taxista em Curitiba na madrugada de quarta-feira, ganhou desdobramentos. O presidente do Sindicato dos Taxistas de Curitiba, Pedro Chalus, disse que o linchamento ''é tese da polícia'' e ontem tentava organizar um protesto contra a atuação da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) e em apoio aos taxistas presos. ''Houve agressão recíproca. Pode ter tido exageros, mas não houve linchamento. E também não houve flagrante. Taxistas que não tinham envolvimento nenhum com o caso acabaram presos'', disse ele. A Polícia Civil investiga a participação de 25 taxistas no crime - sete já foram presos em flagrante, incluindo Rildo Tomas, o motorista que teria sofrido o assalto. O escrivão Domingos Teixeira, do 10º Distrito Policial, informou que a prisão foi feita com base no que um dos taxistas (cujo nome não foi revelado) confessou à Polícia Militar.
O taxista teria revelado quais os números dos carros de táxi que estavam no local do crime, no bairro Sítio Cercado. Como cada carro às vezes é dirigido por dois ou três motoristas em turnos diferentes, a Polícia Civil ainda tenta descobrir os nomes de quem estava trabalhando na ocasião. O escrivão conta que quando a PM chegou ao local do linchamento não havia mais nenhum taxista, somente o corpo do assaltante, que teria sido espancado até a morte.
Ontem a Justiça indeferiu o pedido de liberdade dos sete taxistas e o protesto acabou não ocorrendo por falta de adesão. Segundo Chalus, os motoristas estavam com medo de represálias.
Para Chalus, a responsabilidade é principalmente da Sesp. ''Não conheço um único inquérito aberto para investigar assalto a táxi''. Ele acrescenta que não tem um levantamento sobre o número de assaltos a motoristas de táxi, mas acredita que a média seja de 4 a 6 crimes por dia somente na Capital.
Em nota de esclarecimento, a Sesp informou que o comandante geral da Polícia Militar do Paraná, coronel Nemésio Xavier, e o delegado geral da Polícia Civil, Jorge Azôr Pinto, convidaram Chalus para uma reunião de trabalho na próxima segunda-feira para que o sindicato possa ''apresentar todas as necessidades da classe''.

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