Taxistas denunciam cartel em São José
James Alberti
Uma discussão entre taxistas do ponto 17, no Aeroporto Internacional Afonso Pena, e colegas de outros pontos de táxi do município de São José dos Pinhais, na noite de sexta-feria, reavivou uma velha briga entre a categoria. Somente a intervensão da polícia impediu que os motoristas saíssem no tapa na frente dos clientes, que esperavam no pátio do terminal. Ontem, o presidente do Sindicato dos Taxistas do município (Sindtax), Claudenir Franco, acusou a prefeitura de manter um cartel no Afonso Pena. Os taxistas do município são impedidos, segundo ele, de buscar clientes no aeroporto, mesmo que sejam chamados. Se fazem isso, são multados em cerca de R$ 35,00.
O resultado da disputa causa estrago no bolso do consumidor. Isso porque os táxis do aeroporto têm tarifa maior que os dos outros pontos da cidade. Enquanto uma bandeirada de um táxi do centro da cidade custa R$ 2,00, a de um carro do Afonso Pena é de R$ 4,70. O Diretor de Serviço Público da prefeitura, Luís Costa, confirma a multa e diz que a distorção no preço da tarifa foi causada pela antiga gestão e que está sendo resolvida. Não é justo que haja essa diferença, afirmou. Um aumento nas tarifas discutido neste mês é, segundo ele, uma oportunidade de igualar os preços. Conforme Costa, a prefeitura pode definir os valores unilateralmente se não houver acordo entre as associações de táxi e o sindicato.
O superintendente do aeroporto, João Roberto de Paula, não vê problema no cidadão pagar um pouco mais desde que tenha serviços de qualidade. É preferível pagar um pouco a mais, mas ter segurança, disse. Conforme De Paula, não há como ter igualdade de valores por causa da legislação do município, que teria, inclusive, impedido a ampliação dos serviços aos usuários do aeroporto. Quem deve resolver isso é a administração do município, afirmou. De Paula, porém, diz não abrir mão do controle dos táxis que apanham passageiros no aeroporto. Queremos saber quem está carregando os usuários. Se houver reclamação, saberemos quem responsabilizar, disse.
Para o presidente do sindicato, o serviço de melhor qualidade está diretamente relacionado a maior arrecadação dos táxis do aeroporto. Ele afirma que, enquanto um táxi do município fatura cerca de R$ 1,5 mil ao mês, um táxi do aeroporto tem faturamento de cerca de R$ 8 mil. A diferença também estaria visível no preço de uma concessão de trabalho. Enquanto uma placa do aeroporto custa US$ 150 mil, uma de outro ponto do município vale US$ 12 mil, afirmou. O impasse dura desde outubro do ano passado. Segundo Franco, a prefeitura tem protegido os taxistas que trabalham no aeroporto. O prefeito está só do lado deles, disse.
O presidente da Cooperativa Aerotaxi, Hilário Horst, que administra os táxis do aeroporto, foi procurado pela Folha, mas não foi encontrado na sede da empresa nem retornou ligação.Tarifa dos táxis do Afonso Pena é maior que a dos outros carros da cidade. Motoristas reclamam de não poder trabalhar no terminal
Arquivo FolhaEm vantagemFaturamento de um táxi do aeroporto chega a R$ 8 mil por mês, enquanto dos demais é de R$ 1,5 mil





