Marcos NegriniExperiênciaA única taxista de Maringá, Neusa Reni de Azevedo ensina: ‘‘Trânsito é questão de paciência’’Taxistas de Maringá receberam ontem os diplomas do curso de comunicação e atendimento ao passageiro, informações turísticas e primeiros socorros. Promovido pelo Senac e Secretaria Estadual do Emprego e Relações do Trabalho, o curso teve 30 horas-aula e foi realizado em julho e agosto, com a participação de 127 dos 136 motoristas de táxi da cidade.
Entre eles o pioneiro Manuel Daniel, 75 anos, que chegou a Maringá em 1950 e trabalha na praça há 25 anos. Para ele o curso foi ótimo. ‘‘Aprendi o que fazer se uma gestante resolver parir dentro do meu carro. Conheci aspectos turísticos da cidade que não sabia e tivemos até uma aula de defesa pessoal com a Polícia Militar’’.
O curso foi financiado com recursos do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) e, além do diploma, deu a cada participante um selo de qualidade, em forma de adesivo, para ser colado no vidro traseiro dos táxis. O adesivo apresenta os dizeres ‘‘Motorista qualificado - O bom da praça’’.
Os diplomas e os selos de qualidade foram entregues pelo prefeito Jairo Gianoto (PSDB) em ato realizado na praça em frente à prefeitura. O presidente do Sindicato dos Motoristas de Táxi de Maringá, Osvaldo Gimenez, agradeceu em nome da categoria e disse que o símbolo dos taxistas na cidade é ‘‘a dona Neusa’’.
Neusa Reni de Azevedo, 41 anos, é a única mulher entre os 136 motoristas de táxi de Maringá. Ela já é avó e tem carteira profissional de habilitação há 20 anos. ‘‘Aprendi muita coisa que não sabia. Vai ser muito útil para mim’’, disse dona Neusa sobre o curso.
Ela nasceu em São Jerônimo da Serra (95 km ao sul de Cornélio Procópio) e está em Maringá há seis anos. Já foi assaltada várias vezes, mas nunca perdeu a calma. ‘‘Trânsito é paciência. Não adianta se afobar. Mesmo com uma arma apontada para nosso nariz, temos que nos manter tranquilos’’.
Em 20 anos de trabalho, Neusa garante que nunca sofreu um acidente com o seu carro e também não atropelou ninguém. Ela trabalha num ponto do centro da cidade e confessa ser torcedora do Corínthians. ‘‘Não é porque meu time está numa má fase que vou gostar menos dele’’.

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