Londrina - Há um ano e meio a assistente social Mabel Torres aciona o taxista, em média duas vezes por semana, para levar sua filha de 12 anos à escola e a algumas atividades extraclasse, como aula de inglês, natação e catequese.
''Como trabalho o dia todo e nem sempre tenho disponibilidade de levá-la aos compromissos e também não quero privá-la deles, contrato o taxista para fazer este serviço'', relata.
Segundo ela, acionar um táxi é mais viável, financeiramente, do que contratar um motorista particular. ''Além disso, como sempre chamo o mesmo taxista, conheço o seu trabalho e já tenho confiança nele, por isso fico tranquila'', completa.
A exemplo dela, muitos outros pais londrinenses têm recorrido aos serviços de taxistas para levar os filhos para compromissos como aulas de línguas e natação, por exemplo.
A vendedora Tania Muller também é adepta a esse tipo de serviço. Por indicação dos vizinhos de condomínio, há cerca de um ano ela começou a acionar o taxista para transportar seus filhos, Lara, de 12 anos, e Ricardo, de 6, quando ela não está disponível.
''Há pouco tempo viajei por dez dias, deixei as crianças em casa com a minha sogra e o taxista já ficou avisado dos horários que precisava cumprir'', conta. Geralmente, ela aciona o serviço para levar os filhos ao colégio, às aulas de inglês e à casa da avó.
De acordo com o presidente da Rádio Táxi Faixa Vermelha, Antonio Pereira da Silva, este serviço diferenciado vem ganhando espaço em Londrina nos últimos dois anos e a cada mês a procura cresce ainda mais. Atualmente, com 170 carros, a central registra uma média de 1,3 mil corridas ao dia e aproximadamente 10% são para transporte de crianças a escolas, aulas de inglês, academia, entre outras atividades. ''É um número bastante expressivo, visto que há dois anos ele quase não existia'', relata.
O percentual é semelhante na Rádio Táxi Faixa Azul, que soma 120 carros e cerca de 1 mil corridas por dia. Para a assistente administrativa Sandra Silva, o aquecimento da economia e o crescimento da cidade são fatores que influenciaram na procura pelo serviço. ''É mais cômodo e também mais seguro porque os pais sabem que estão contratando uma pessoa diretamente da empresa'', reitera.
Pereira e Sandra consideram que, por trabalharem fora, os pais não têm tempo para levar os filhos aos compromissos e preferem contar com um profissional para fazer este papel. ''Além disso, algumas famílias optam por acionar um taxista em vez de tirar o carro da garagem ou mesmo contratar um motorista particular'', acrescenta Silva.
Vínculo com o cliente
Ronaldo Alves da Silva é taxista há um ano e meio e há cerca de oito meses começou a transportar crianças para colégio, shopping, academia, igreja e aulas de inglês. Hoje, aproximadamente 10 famílias chamam o profissional para realizar esse tipo de serviço. Alguns clientes chegam a chamá-lo até três vezes por semana.
''A maioria das pessoas chega até mim por indicação, mas também há pais que andam no meu táxi, gostam do meu jeito de dirigir e pedem para transportar os filhos'', conta Ronaldo, que soma um cadastro de pelo menos 14 crianças. ''Em alguns condomínios, os porteiros até me chamam de babá'', conta.
O taxista Alfredo Cunha, que está no ramo há dez anos, diz que há aproximadamente dois os londrinenses começaram a procurá-lo para transportar crianças ao colégio. ''Além de outros clientes fixos, tem duas crianças que levo quase todos os dias à escola há mais ou menos um ano'', relata.
Para ele, este tipo de serviço começa a partir do momento que o taxista cria um vínculo com o cliente, que passa a confiar no seu trabalho e contratá-lo. ''Acaba sendo mais em conta do que contratar um motorista particular'', compara. Por outro lado, ele diz que este tipo de serviço exige muita disciplina, porque é um compromisso de horário que assume e, muitas vezes, precisa dispensar outras corridas para cumprir o combinado.
Cunha considera que a modalidade tende a crescer principalmente por causa dos condomínios que estão sendo construídos na cidade em regiões mais afastadas do centro.

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