O taxista Natanael Moreira, 55 anos, assassinado a facadas, na manhã de sábado, em Londrina, foi sepultado ontem à tarde, no cemitério Padre Anchieta. O crime deixou os amigos e familiares do taxista inconformados pela brutalidade. O corpo de Natanel - com diversas perfurações - só foi encontrado por volta das 19 horas de sábado, parcialmente enterrado num matagal próximo ao Córrego Lago Azul, no Conjunto Roseira (zona sul). Ele trabalhava há apenas 4 meses como taxista, no ponto localizado em frente ao prédio dos Correios (área central) e, segundo a família, já tinha planos para deixar de trabalhar com o táxi.
  A reportagem da Folha tentou falar com o delegado que estava de plantão no sábado, para saber informações do crime, mas ele não foi localizado. O taxista Vicente Geraldo Dias, que trabalha no mesmo ponto da vítima, contou à reportagem que Moreira pegou um passageiro às 6 horas da manhã, e seguiu para a zona sul. Segundo Dias, uma moradora ouvida pela polícia, teria dito que ouviu gritos do taxista, pedindo para não morrer. Ela também teria visto uma Kombi branca com cinco rapazes e o carro do taxista - um escort cinza – passarem pelo bairro. A moradora teria ligado para polícia, mas ninguém apareceu.
  O carro e a Kombi seguiram para Ibiporã, onde bandidos jogaram um envelope com fotos e documentos de Moreira em um bueiro. Ainda de acordo com Dias, um garoto viu os rapazes jogando o envelope, esperou que eles fossem embora e chamou a polícia que começou a fazer buscas naquela região. No entanto, por volta das 19 horas, uma moradora do Conjunto Roseira encontrou o corpo do taxista.
  ‘‘Eu estive lá no local, o óculos do Moreira estava jogado. Além das facadas, ele estava todo machucado, como se tivesse tentado se defender’’, descreveu Dias. ‘‘Foi uma crueldade. Ele era uma pessoa muito boa’’, lamentou. De acordo com Vicente Dias, o carro de Moreira foi encontrado todo ‘‘depenado’’, no Jardim Nossa Senhora da Paz (zona oeste).
  Natanael Moreira Júnior, filho do taxista assassinado, acredita na possibilidade de assalto. ‘‘Só que isso não justifica tanta maldade, eles não levaram nem o anel que estava com meu pai’’, reforçou Júnior, enquanto mostrava o anel de ouro. ‘‘Ele era uma pessoa muito querida por todos, muito popular na região’’, contou.
  Antes de ser taxista, Moreira teve um mercado no Jardim Ideal (zona leste), onde morava. Segundo o filho, depois que o mercado foi vendido, ele tentou negócios no comércio, mas não deu certo. Moreira então começou a trabalhar como taxista. ‘‘Isso era provisório, ele já estava procurando outra coisa para fazer’’, salientou. Moreira era casado e tinha três filhos. A família espera que os assassinos sejam encontrados. ‘‘Agora só depende da polícia’’, disse Júnior.

mockup