Taxista denuncia venda de pontos
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quinta-feira, 08 de abril de 2004
Adriana Savicki<br> Reportagem Local 
Sessenta mil reais. Um ponto de táxi em Londrina pode custar até mais do que isso. Embora ilegal, já que a rua é um espaço público cujo uso é concedido pelo município, a operação de venda de pontos nas ruas da cidade é corriqueira. E, como em todo mercado, os preços variam de acordo com a lei da oferta e procura.
''Por menos de R$ 20 mil ninguém vende um ponto em Londrina'', afirma Sebastião Ramos Pereira, 44 anos, oito deles dentro de um táxi. O taxista resolveu denunciar o esquema depois de ficar sem poder trabalhar. O carro dele é financiado, o que dificulta o aluguel de um ponto. Por lei, o veículo precisa ficar no nome do permissionário da vaga e quem aluga não quer correr o risco de ter financiamento em seu nome.
A denúncia foi facilmente confirmada pela reportagem da Folha. Depois de telefonar a um ponto de táxi indicado por Pereira na região central de Londrina, onde haveria uma vaga sendo comercializada, o taxista que atendeu passou um número de celular. Em nova ligação, além do referido ponto, mais dois foram oferecidos, na Zona Rural.
Os pontos da Zona Rural custam, cada um, R$ 4 mil. Na área central, o preço mínimo ofertado foi de R$ 25 mil. O proprietário dos pontos à venda explicou que trabalha no centro, por isso estaria vendendo os outros. No mercado dos pontos, explica o taxista, vale mais o local com maior movimento. O aeroporto é o 'filé mignon'. ''Já chegaram, em outras épocas, a pedir R$100 mil em um ponto lá'', diz.
As ligações reforçam a denúncia de Pereira. ''Tem uma única pessoa na cidade com 13 pontos, todos em nome de 'laranjas': da irmã, do cunhado e por aí vai'', explica. O esquema, entretanto, é difícil de ser comprovado, pois o negócio é ''de boca''. Apesar dos pontos terem passado de um para outro, o registro na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), órgão responsável pela fiscalização do setor, continua o mesmo.
O aluguel de vagas é um 'negócio da china' e, por incrível que pareça, ao contrário da venda, é permitido pela legislação. É comum, segundo o taxista, que o dono do ponto nunca tenha sequer colocado os pés em um táxi. Na contabilidade de Pereira, ele já gastou quase R$ 30 mil em aluguel dos três pontos onde trabalhou.
Em todos, o carro foi comprado por ele mas, para se adequar à lei, ficava no nome do permissionário. O aluguel da vaga chega a R$ 300, a mesma rentabilidade do aluguel de um apartamento de um quarto no Centro de Londrina. ''Tenho oito anos de táxi e não posso trabalhar. Tem gente que nunca foi taxista que é dono de vaga. Isso está muito errado''.


