Na rotina dos taxistas, algumas conversas acabam tendo eles mesmos como coadjuvantes. O motorista Cícero Vicente de Mello lembra que uma vez um casal de namorados sentou no banco de trás e começou a discutir para onde ia. Depois de um bom bate-boca, o homem decidiu ir para a Vila Oficinas, levando à força a namorada. No meio do caminho, a jovem se rebelou e voltou a discutir, pedindo para que fossem para o Água Verde. ‘‘Com tanta discussão, resolvi parar o carro e pedir que eles terminassem a briga e definissem um único local.’’
Após o ultimato de Mello, o rapaz tomou o pulso da situação e determinou a ida à Vila Oficinas. ‘‘Olhei pelo retrovisor e vi a moça, que foi cabisbaixa até chegar ao endereço,’’ diz. Quando o carro parou no local, o rapaz desceu por uma porta e a namorada, rapidamente, fechou-a com trinco e mandou ir para o bairro Água Verde, deixando o namorado parado na calçada, feito bobo.
O taxista Adriano Porfírio também viveu uma situação esquisita. Ele conta que, numa noite, um passageiro pediu para ir a determinado endereço no centro da cidade. Lá, embarcou uma mulher. Depois, eles foram até outro ponto de Curitiba, onde embarcou um segunda mulher. ‘‘Com as duas no carro, ele mandou tocar para o motel’’, diz.
Marcelo AlmeidaJosé Clodoaldo Rodrigues, recepcionista de hotel: ‘‘Não escuto conversa só no ônibus, mas também no meu emprego. Só que no hotel, não posso comentar nem falar com ninguém o que ouvi. Já as do ônibus, quando acontece alguma coisa interessante, sempre acabo comentando com alguém. Na maioria das vezes as pessoas conversam sobre problemas financeiros, desemprego ou até namoro’’Enquanto ia ao local, o trio passou a trocar beijos e carícias, comentando o que iria fazer. ‘‘Eles desembarcaram animados, por isso fiquei imaginando o que iria acontecer’’, comenta Porfírio. No dia seguinte, pela manhã, o mesmo passageiro pegou o carro e seguiu viagem sem puxar assunto. ‘‘Acabei sem saber o que aconteceu naquela noite’’, diz.
Porfírio conta que a ida ao motel foi menos interativa que a perseguição que fez atrás de um carro. ‘‘Uma mulher, que acreditava que o marido a traía, subiu no táxi pedindo para perseguir o marido’’, diz. Como detetives, eles seguiram o homem infiel, mantendo uma certa distância para não serem descobertos. Foram feitas diversas paradas, e o carro do marido foi se enchendo, com uma mulher e mais um casal.
Na perseguição, a mulher passou a bipar o marido, informando que ia ao cabeleireiro. ‘‘A cada dez minutos, ela pegava o celular e passava uma nova mensagem para ele. O cara passou a mostrar aos amigos e à amante as mensagens, dando gargalhadas com eles’’, lembra Porfírio. Quando os quatro chegaram ao motel, ela saiu do táxi e brigou com o marido.
‘‘Minha história de perseguição foi diferente’’, lembra o taxista Cícero Mello. Ele conta que uma mulher brava e indignada mandou que seguissem um carro que estava saindo de uma garagem. O carro saiu rápido, por isso Cícero se viu obrigado a ultrapassar sinais vermelhos para manter uma distância considerável. Quando o carro parou, próximo de um hotel, a mulher desceu, pedindo que o taxista esperasse. ‘‘Ela voltou com um enorme sorriso no rosto, porque depois de quase uma hora de perseguição, tínhamos corrido atrás do carro errado’’, diz. (I.R.)

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