Taxis e vans disputam passageiros
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sexta-feira, 24 de novembro de 2006
Guilherme Borges<br>Reportagem Local 
Da década de 80, ficou um refrão e uma visão romântica do serviço: ''Vou de táxi, você sabe. Estava morrendo de saudade''. Hoje, taxistas disputam com donos de vans passageiros cada vez mais raros. Do duelo, têm sobrado vidros quebrados, ameaças com estiletes e até intervenções policiais. ''Fui levar um grupo que me contratou para fazer frete e uns 15 taxistas impediram a turma de subir na van. Depois ainda me humilharam e quebraram meu pára-brisa'', reclama um motorista de van, que não quis se identificar.
Outro reclama que foi ameaçado. ''Eles não deixaram o grupo, que já tinha até pagado, embarcar. Combinei de pegá-los em outro ponto, os taxistas me seguiram e me ameaçaram com estilete e pedaços de pau. Hoje já nem pego mais este tipo de serviço, porque tenho medo'', confessa.
De acordo com o diretor de Trânsito da Companhia Municpal de Trânsito e urbanização (CMTU), Álvaro Grotti Júnior, os problemas entre táxis e vans têm aumentado, principalmente em noites de eventos grandes em Londrina. ''A gente vem identificando que quando tem festas, como Metamorfose e Exposição, por exemplo, a briga entre donos de vans e taxistas piora. Mas esta richa não é de hoje''.
O presidente do Sindicato dos Taxistas Rodoviários de Londrina, Antônio Pereira da Silva, é taxativo: ''Van fazendo transporte à noite, dentro de Londrina, é ilegal. Jamais vamos deixar a cidade virar uma São Paulo ou um Rio de Janeiro''. Para ele, os motoristas de vans devem se limitar a transportar escolares ou fazer viagens intermunicipais.
O argumento de Silva é baseado na lei municipal, que, de acordo com Grotti Júnior, pressupõe que o transporte de passageiros dentro de Londrina não possa ser feito por vans, pelo fato de não atender especificações legais. ''É necessário ter um ônibus com no mínimo 24 lugares individuais, com características rodoviárias, separação entre motorista e passageiros, além de outras determinações'', enumera.
Para o dono de uma empresa de transportes e fretamentos tem sido comum pessoas de municípios vizinhos contratarem o serviço dele para participar de festas em Londrina. ''Eu não estou trabalhando ilegal. Pego esse pessoal nos municípios vizinhos, trago em Londrina e depois levo de volta. Não está certo os meus motoristas apanharem por estar fazendo isso''.
Silva discorda e afirma que os taxistas é que devem transportar pessoas dentro de Londrina, quando existem eventos. ''Quando tem uma festa, fica aquela fila de táxis esperando passageiros e de repente pára uma van, toda bonitona, e leva um monte de gente. Isso não pode. Se o cara está precisando de serviço, vai colher café e capinar mato'', sugere. Um dos motoristas de van contrapõe: ''Serviço tem para todo mundo, não precisa agredir ninguém''.
O diretor da CMTU também defende que a violência física não justifica a irritação dos taxistas. ''A polícia pode intervir nestes casos. É só acioná-la. Não precisar agredir ninguém''. O presidente do sindicato dos taxistas concorda, mas ressalta: ''A gente chama a PM, avisa os motoristas de vans, pede para saírem e eles não saem; aí eu não posso fazer mais nada''.


