Da Sucursal

Arquivo FolhaA presidenta da CUT, Ana Maria Cruz, defende o fim das taxas compulsóriasAs taxas sindicais compulsórias sustentam um sistema falido e são o principal fator de estímulo à proliferação de sindicados fantasmas. A opinião é dos dirigentes das duas principais centrais sindicais do Paraná, CUT e Força Sindical, que juntas afirmam representar 1,2 milhão de trabalhadores e 185 sindicatos no Estado.
‘‘Com as contribuições compulsórias, os sindicatos não precisam mais dos trabalhadores’’, critica o presidente da Força Sindical, Feliciano Moreira. Segundo ele, como a lei garante a sustentação financeira dos sindicatos, através do imposto e taxas recolhidas na folha de pagamento, as entidades não se esforçam para aumentar sua representatividade. ‘‘Ninguém precisa correr atrás de associados’’, afirma Moreira.
Segundo ele, a representatividade dos sindicatos brasileiros é falsa e não reflete a realidade do País. ‘‘Apenas 13% da população economicamente ativa do País é sindicalizada’’, diz Moreira. As entidades fantasmas, para o presidente da Força, só acabarão quando as taxas compulsórias forem extintas. ‘‘Se isso acontecer, metade dos sindicalistas que estão aí voltam pra casa’’, acredita ele.
Moreira também defende o fim do princípio da unicidade sindical, que proíbe hoje mais de um sindicato por categoria. ‘‘Essa estrutura sindical baseada na unicidade só existe no Brasil e na Albânia’’, afirma.
A CUT tem um diagnóstico parecido com sua principal rival, mas defende soluções diferentes para o fim das entidades fantasmas. ‘‘Esses sindicatos de gaveta só servem a interesses de grupos que querem perpetuar seu poder’’, diz a presidenta da central, Ana Maria da Cruz.
Segundo ela, a CUT também é a favor do fim do imposto sindical, mas quer a manutenção das contribuições e taxas, desde que elas sejam discutidas e aprovadas pela categoria. ‘‘Os sindicatos têm que se manter apenas com as taxas aprovadas pelos trabalhadores (nas assembléias)’’, diz ela.
Para a CUT, a restrição da criação de sindicatos por ramos de atividade, com abrangência estadual ou nacional, acabaria com a proliferação das entidades fantasmas. ‘‘Seriam apenas 18 ou 20 ramos diferentes por esse sistema’’, explica Ana Maria.
Tanto a CUT quanto a Força Sindical criticam a interferência da Procuradoria Regional do Trabalho sobre a cobrança de taxas de reversão salarial sobre trabalhadores não associados aos sindicatos. ‘‘O acordo beneficia tanto o associado quanto quem não 钒, reclama Ana Maria. ‘‘As decisões das assembléias são soberanas e ninguém pode interferir’’, diz Moreira.

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