Marcos Zanatta
De Maringá
Os caminhoneiros e as empresas de transporte da região de Maringá não conseguem mais fazer seguro de cargas e enfrentam dificuldades na renovação das apólices. ‘‘As companhias de seguro não querem correr riscos’’, afirma o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos, Osvaldo Reginato. Ele diz que, com a crise, os assaltantes não escolhem mais o tipo de carga, ou o modelo do caminhão. ‘‘Antes o problema era com uma linha de produtos, mas hoje até grãos os assaltantes estão levando’’, afirmou.
Reginato revela que uma das cargas mais visadas é de jóias e semijóias. ‘‘Mas as transportadoras preferem não divulgar este tipo de assalto porque isso só aumenta o número de casos’’. Como são peças pequenas, mas pesadas, o transporte é feito com veículos pequenos, o que acaba facilitando o trabalho dos assaltantes. ‘‘Mas as quadrilhas não perdoam nada e estão cada dia mais sofisticadas’’, diz Reginato.
O presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Maringá, Reinaldo Gabriel Neto, conta que durante um assalto a um caminhão da empresa que dirige, próximo a São Paulo, um dos assaltantes, de terno e gravata, negociou a carga do local, por telefone celular. Ele calcula que, pelo menos, 50% dos assaltos a cargas são praticados na região metropolitana de São Paulo. ‘‘Quem quer seguro tem que investir alto em um sistema de monitoramento dos veículos por satélite’’, afirmou.
As seguradoras, segundo Gabriel Neto, só aceitam segurar cargas e veículos se a empresa tiver o monitoramento. Os pequenos empresários saem prejudicados. O empresário Cláudio Alves da Silva, que tem uma pequena transportadora em Mandaguari (33 km a leste de Maringá), diz que só consegue renovar o seguro dos veículos porque é cliente antigo. ‘‘O valor cobrado de taxa para as cargas não compensa’’, resume. Ele cita também o roubo de caminhões para uso. ‘‘Um veículo meu foi roubado vazio, por volta das 20 horas, próximo a São Paulo, e encontrado seis horas depois dentro da capital paulista’’, contou.
A carga mais comum transportada entre Maringá e São Paulo, que passa pela rota dos assaltos, é a carne de boi ou de frango. Um caminhão médio leva até 15 toneladas, carga avaliada em torno de R$ 20 mil. O valor do frete, cobrado pela maior parte das empresas de transporte, não passa de R$ 900,00. O seguro da carga, caso alguma companhia aceite fazer, pode chegar a R$ 2 mil. ‘‘Não tem como repassar o valor para o frete’’, diz Gabriel Neto.
O corretor de seguros José Roberto Pimentel confirma que as taxas cobradas pelas companhias inviabilizam o seguro de cargas. ‘‘O número de roubos é muito grande e as empresas não podem assumir o risco’’, diz. A maior parte das transportadoras trabalha sem seguro. Pimentel também concorda que os assaltantes não escolhem mais a carga.

mockup