Taxa do vestibular também provoca manifestação
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quarta-feira, 29 de abril de 1998
Adriana De Cunto 
Josoé de CarvalhoTaxa de R$ 100, nãoProtesto na Concha reuniu público menor que o esperado: alunos interessados estariam no trabalhoUm protesto contra o aumento da taxa de inscrição para o vestibular da Universidade Estadual de Londrina (UEL) reuniu ontem à tarde, na Concha Acústica (centro da Cidade), cerca de 300 estudantes secundaristas e alunos de cursinhos. Eles cobravam da reitoria da UEL uma justificativa sobre o aumento de 25% no preço da inscrição, que passou de R$ 80,00 para R$ 100,00. As inscrições serão feitas de 4 a 8 de maio.
O professor de Literatura Marco Antonio Forace de Mendonça, que trabalha em um colégio particular e foi um dos coordenadores do protesto, esperava mais estudantes para a manifestação. Na opinião dele, o número foi pequeno porque os vestibulandos interessados na redução do preço trabalham durante o dia e não foram dispensados para o ato.
Marco Antonio de Mendonça comparou o preço da inscrição da UEL com o de outras universidades estaduais do Paraná. Em Londrina, o candidato a uma vaga no curso superior precisa desembolsar mais. Segundo ele, a Universidade Estadual de Maringá cobra R$ 65,00 e a Universidade Estadual de Ponta Grossa, R$ 60,00. Ontem à noite haveria uma reunião entre lideranças estudantis, em um cursinho da cidade, para decidir os rumos do movimento contra a elevação da taxa.
O coordenador administrativo-financeiro da UEL, Aristeu Pereira de Carvalho, disse que o aumento ficou abaixo do índice de inflação no período entre julho de 95 e janeiro de 97, que foi de 28,84% segundo o IGP-M. Se a UEL fosse aplicar o índice integral, comentou o coordenador, o preço subiria para R$ 103,00. Aristeu de Carvalho lembrou que a Fundação Carlos Chagas - que prepara as provas da Universidade - corrigiu o seu preço pelo índice total da inflação.
Outra justificativa para o aumento da taxa, segundo a administração da UEL, são os cerca de mil candidatos isentos do pagamento da inscrição, que comprovaram carência. Aristeu de Carvalho admitiu ainda que a taxa de inscrição ajuda a cobrir custos administrativos da UEL. Os custos da Universidade aumentaram muito. A Universidade abriu novos cursos, como engenharia elétrica, artes cênicas, design e moda. E isso requer mais professores, mais salários, mais equipamentos.
Segundo o coordenador, o custo mensal da UEL é de aproximadamente R$ 600 mil. Mas o Estado, por dificuldades de receita, tem passado bem menos para a Universidade arcar com suas dívidas. Aristeu de Carvalho diz que o repasse mensal deveria ser de R$ 300 mil, em 97, o governo repassou R$ 150 mil mensais, e só a partir de setembro. Neste ano, o repasse deverá ser ainda menor: R$ 75 mil mensais. É um corte de repasse de recurso de 75%.. O coordenador brincou: Aqui eu faço a administração canguru. Eu vivo de sobressaltos.


