Taxa de mortalidade infantil cai 21%
Maigue Gueths
De Curitiba
A Pastoral da Criança fechou o ano de 99 comemorando uma redução de 21% na taxa de mortalidade infantil em relação ao ano anterior. A queda aconteceu entre as 250 mil crianças menores de 1 ano atendidas pela entidade mensalmente. Os resultados são ainda mais positivos, se for considerado que nos dois anos anteriores 96 e 97 a taxa de mortalidade infantil manteve-se estacionada em 15 óbitos para cada mil nascidos vivos. Em 99 a taxa ficou em 12 mortes para cada mil nascimentos.
Esses dados fazem parte do balanço anual da Pastoral da Criança, referente ao trabalho feito por cerca de 145 mil voluntários que atuam em 3.221 municípios do País. Em média, os voluntários acompanham mensalmente 31.062 comunidades, com cerca de 1 milhão de famílias, 1,6 milhão de crianças menores de 6 anos de idade e cerca de 77 mil gestantes.
O ano de 99 foi excelente para o nosso trabalho, diz a pediatra Zilda Arns Neumann, coordenadora Nacional da Pastoral da Criança, que acredita que os números refletem os investimentos feitos na capacitação de lideranças e coordenadores dos trabalho, além do incentivo a ações básicas de saúde. A entidade fechou 99 com 127.454 líderes comunitários, o que significou um crescimento de 17,8% em relação a 98.
O crescimento de 14,7% no número de crianças atendidas também é significativo, já que anualmente a pastoral vem aumentando em cerca de 10% o atendimento. Em dezembro de 99, ela dava assistência a 8,3% de todas as crianças brasileiras com idade inferior a 6 anos, ou 20% se considerarmos apenas as crianças de famílias pobres. Isto mostra que ainda não chegamos ao limite da nossa capacidade. Uma vez que este é um trabalho voluntário barato, temos chances de crescer cada vez mais, diz.
Os resultados obtidos pela pastoral são ainda mais significativos se comparados com os índices de mortalidade infantil em locais onde não há acompanhamento da entidade. Os últimos dados do Ministério da Saúde e Unicef são de 98 e apresentam taxa média de 36 mil mortes por mil nascimentos no Brasil, chegando a alcançar até 58 mortes por mil na região Nordeste, onde o índice é maior. Até a região Sul, com 22 por mil, o índice ainda fica bem superior à média nacional obtida pela pastoral.
Avaliação dos trabalhos desde 91, quando a pastoral iniciou as atividades, até 98 revela uma queda ainda maior. Nesses sete anos, a pastoral reduziu em 153% a taxa de mortalidade infantil passando de 38 por mil para 15/1 mil. Já a taxa nacional caiu apenas 20%, passando de 45/1 mil para 36/1 mil.
As causas das mortes, entretanto, continuam as mesmas. Em primeiro lugar estão as afecções perinatais, responsáveis por 29,8% das mortes, seguida pelas pneumonias (15%) e diarréias (13%). Para Zilda Arns, a criação dos hospitais referência e uma rede de atendimento a urgências no Estado, anunciadas pelo governo esta semana, podem reduzir os problemas perinatais, garantindo um atendimento mais rápido e de melhor qualidade.
Ela ainda insiste, entretanto, em outras necessidades, como a construção de casas de apoio para abrigar as gestantes que vivem em locais de difícil acesso antes do parto. Outra medida necessária é o investimento em educação.





