O seminarista Marcos Bertagna, 23 anos, cumpre nas sextas-feiras um invariável ritual: dirige-se à Avenida Leste-Oeste para esperar a linha intermunicipal que, às 16 horas, o leva de Londrina a Nossa Senhora das Graças (66 km ao norte de Maringá). Segundo ele, seria até mais rápido e fácil esperar o ônibus confortavelmente acomodado em uma cadeira e protegido do mau tempo no Terminal Rodoviário de Londrina. Mas um pequeno detalhe o afasta da rodoviária: a taxa de embarque. Depois de permanecer cinco anos em R$ 1,00, ela foi aumentada, no fim do mês de maio, para R$ 2,50.
O valor é 78,5% superior ao cobrado para as viagens intermunicipais que partem de Curitiba e Foz do Iguaçu e 525% ao cobrado em Maringá (ver tabela). ''Não posso me dar ao luxo de gastar tudo isso com a taxa de embarque, se posso pegar o ônibus sem a tarifa'', diz Bertagna, pouco antes de embarcar. No mesmo veículo, também entra o músico Luis Carlos Godoi, 24 anos. Ele paga R$ 6,35 pela passagem até Paranacity, sem taxa de embarque. A opção por tomar o ônibus na Leste-Oeste tem o mesmo motivo. ''A passagem já aumentou 23%, então sou obrigado a fugir da taxa'', justifica-se.
Enquanto Godoi e Bertagna tomavam a estrada, a auxiliar administrativa Lúcia Vieira, 33 anos, esperava na rodoviária a linha para Assaí. E mostrava, espantada, o valor da viagem: a passagem, de R$ 4,76, junto com a taxa de embarque chega a R$ 7,26, um acréscimo de 52,5%. ''Só paguei porque não moro em Londrina e não sei bem onde posso pegar o ônibus'', revela. ''Teve um senhor que desistiu da viagem porque não tinha o dinheiro da taxa''. A situação também vem causando reclamações dos comerciantes da rodoviária, descontentes com a queda de movimento.
O Terminal Rodoviário de Londrina deu prejuízo de R$ 100 mil em 2002. Das 33 lojas disponíveis para aluguel, 12 permanecem vazias, segundo o presidente da Companhia de Desenvolvimento de Londrina (Codel), João Rezende. Mas a procura pelos espaços, garante, aumentou nas últimas semanas. ''O pessoal agora está voltando a se interessar'', afirma.
Através de um Programa de Demissão Voluntária (PDV) ao qual aderiram 18 dos 93 funcionários do terminal, e com o aumento da taxa de embarque, ele garante que está sendo possível equilibrar sua situação financeira. Rezende diz que cada passageiro custa para o terminal R$ 3,20. ''A prefeitura não tem como tirar dinheiro do IPTU para investir na rodoviária, que precisa sustentar-se com o que arrecada'', argumenta.

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