Emerson Cervi
De Curitiba
O secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, terá hoje uma resposta do Departamento Jurídico da Assessoria Civil sobre as medidas a serem tomadas a respeito de denúncias de fraude no concurso público da Polícia Civil do Paraná. Na sexta-feira passada, o secretário recebeu a informação de um grupo de delegados de que pelo menos 40 dos 900 candidatos foram aprovados irregularmente.
Alguns deles são parentes de delegados e outros responderiam a inquéritos por tráfico de drogas e homicídio. Os resultados do concurso foram homologados pela secretaria de Segurança há quatro meses e os aprovados devem ser contratados em abril.
O primeiro colocado para escrivão de polícia em Curitiba e Região Metropolitana foi o irmão do ex-delegado-geral, foragido da Justiça, João Ricardo Képes de Noronha, João Paulo Képes de Noronha. Ele não foi encontrado ontem pela Folha para falar sobre as suspeitas de favorecimento. Existem outros casos de irmãos e primos de policiais na lista de aprovados.
‘‘Entre as denúncias está a de que as provas foram queimadas poucos dias após o concurso, o que é ilegal, e nos impede de saber se essas pessoas foram aprovadas por mérito’’, disse ontem o secretário através de sua assessoria. Tavares vai determinar abertura de sindicância interna para saber se há outros casos suspeitos.
Por enquanto, não há previsão de cancelamento do concurso. De acordo com assessores do secretário, continua mantida a previsão de contratações para o mês de abril. ‘‘Se a sindicância apurar novas irregularidades todo o processo pode até ser cancelado’’, afirmou o secretário pela sua assessoria. O concurso começou em maio de 1997 e a homologação do secretário de Segurança aconteceu somente em novembro de 1999. Dos 1.240 aprovados, 900 seriam contratados em abril como parte do plano de reestruturação da Polícia Civil, anunciado pelo governador Jaime Lerner (PFL).
Aprovado para investigador de polícia, Mário Shibazaki, 43 anos, acredita que as denúncias não são suficientes para cancelar o concurso. ‘‘Sabemos que existem alguns sobrenomes conhecidos da polícia na lista de aprovados, mas o correto seria refazer a investigação de conduta ilibada dessas pessoas suspeitas’’, opinou.
‘‘Estamos na expectativa da contratação há quase três anos e agora que o governador anuncia a contratação aparece esse problema envolvendo cerca de 4% dos aprovados’’, protestou Shibazaki. Ele diz que foi visitado por equipes de delegados e que seus vizinhos também foram entrevistados.

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