Luciana Pombo
De Curitiba
O secretário de Estado da Segurança Pública, José Tavares, anunciou ontem que irá abrir um novo inquérito policial para investigar o desaparecimento de Ewerton Gonçalves de Lima. O garoto desapareceu no dia 23 de dezembro de 1988, quando esperava o pai, próximo ao Bosque João Paulo II, no Centro Cívico, em Curitiba. Investigações preliminares da Polícia Militar levantou indícios de que o menino foi sequestrado e levado para Foz do Iguaçu. A suspeita é de que Ewerton, na época com oito anos, tenha sido levado para o Exterior para o tráfico de órgãos. ‘‘Tudo leva a crer que ele – e outras crianças desaparecidas na mesma época – tenham tido o mesmo fim’’, afirmou José Vicente Filho, pai do garoto.
Recentemente, José Vicente Filho fez sérias denúncias de envolvimento de médicos, policiais civis e delegados de polícia no desaparecimento de Ewerton. As denúncias estão baseadas num relatório produzido por um policial do serviço reservado da Polícia Militar e que foi arquivado. O policial, identificado como Roberto Mexicano, contou recentemente que as investigações apontavam Rosalva Maria Ferreira como a sequestradora do menino. O garoto teria sido levado para uma chácara de Campo Largo, na Região Metropolitana de Curitiba, onde teria sido vendido por CZ$ 100,00 (cem cruzados) para um homem identificado como Lavinha. ‘‘Tudo levava a um indicativo de que a Rosalva tinha mesmo vendido o menino para o Lavinha. Mas tínhamos apenas indícios e não provas’’, contou ele.
A afirmação de Mexicano será confirmada, nos próximos dias, por um delegado de polícia da Região Metropolitana, que teria trabalhado no início das investigações. O nome do delegado está sendo mantido em sigilo. De acordo com Vicente Filho, este delegado teria recebido duas moças que disseram ter visto Ewerton num Centro Espírita no bairro São Brás, em Curitiba, em janeiro de 1989. O delegado teria ido com o responsável pelo inquérito, Kioshi Hattanda, para o local e constatado que o menino havia sido retirado momentos antes e levado para uma chácara em Campo Largo. ‘‘Este delegado poderá comprovar isto e será ouvido pelo novo investigador designado para o caso’’, salientou.Garoto desapareceu em dezembro de 1998, no Centro Cívivo de Curitiba, mas o caso nunca foi solucionado pela polícia
Arquivo FolhaMESMO FIMJosé Vicente Filho, pai de Ewerton, acredita que outras crianças desaparecidas na #poca também tenham sido vítimas do tráfico de órgão

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