O secretário de Segurança Pública, José Tavares, entregou ontem uma cadeira de rodas ao adolescente Jony Otávio Torres, 16 anos, vítima da violência policial. Tavares disse que leu reportagem sobre o caso, publicada na Folha no dia 7 de outubro, aniversário de Jony, e se comoveu com o drama. ''Há 18 anos eu tive que passar um ano preso em uma cadeira de rodas e sei o que esse menino está vivendo. Sempre que sei de um caso desses, costumo comprar cadeiras de rodas e mando entregar sem falar nada com ninguém. Mas nessa situação fiz questão de divulgar porque vou me empenhar para que a Justiça seja feita'', afirmou.

Jony foi baleado em 6 de abril deste ano, dentro de uma viatura descaracterizada da Polícia Militar. Ele dormia na casa da mãe, no Jardim Maracanã (zona oeste de Londrina), quando por volta das 11 horas foi acordado por dois policiais do serviço reservado da PM, a P2, que não usam farda. Os policiais estariam atrás de um adolescente que teria participado de um roubo em uma residência no bairro.

Segundo testemunhas do caso, os policiais levaram Jony, algemado e vestindo apenas bermuda, para a viatura onde um terceiro policial aguardava. O policial que atirou em Joni, Paulo Roberto Daniel, teria feito ''roleta russa'' com o menino, no banco de trás da viatura. ''Ele colocou duas balas no revólver e enfiava o cano nas minhas costas, dizendo que ia fazer um estrago. E apertava o gatilho. Os outros falavam para não fazer aquilo, para não me machucar, mas ele não dava bola. E apertou o gatilho quatro vezes. Na quinta, o revólver disparou e me acertou'', recordou à reportagem da Folha .

Jony teve o fígado e um dos rins perfurados, além de fratura exposta em um dos braços. O garoto perdeu o rim e corre o risco de ficar paraplégico permanentemente. Os médicos que atendem ao garoto ainda não têm uma previsão se ele vai voltar a andar. O PM que atirou em Jony não foi punido. Tanto ele como os outros dois policiais que o acompanhavam continuam trabalhando normalmente no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM).

Segundo a tia de Jony, Aparecida Otávio, 38 anos, a cadeira de rodas é bem-vinda porque vai permitir que o garoto saia de casa para passear. ''A que ele usava era emprestada e muito velha, não dava nem para sair para rua'', afirmou. Mas, para ela, o presente é dispensável. ''O que a gente queria mesmo era Justiça. Queremos que os policiais sejam presos e paguem pelo que fizeram'', disse chorando.

Segundo o secretário, a cadeira é apenas para minimizar o sofrimento do menor. ''Estamos tomando todas as providências para que o caso seja apurado com rigor. Pessoalmente, estou fazendo tudo para que isso aconteça. Sou o primeiro a defender a Justiça. Se os policiais forem culpados vão pagar por isso'', afirmou. ''Me coloco à disposição publicamente para o que ele (Jony) precisar'', afirmou. (T.E.)

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