A garantia da instalação de uma Delegacia Antitóxicos em Londrina ainda este ano e a promessa de uma nova reunião daqui a 30 dias. Esse foi o saldo do encontro do Secretário de Estado de Segurança, José Tavares, com representantes do Ministério Público, ontem de manhã, no Fórum de Londrina. O secretário pediu a reunião para fazer um comunicado oficial sobre a instalação de um Grupo de Operações Especiais para combater o narcotráfico na cidade.
Tavares pediu a colaboração dos promotores e, em troca, ouviu uma série de reclamações e reivindicações: ''Londrina merece mais do que uma solução temporária contra a violência. Vivemos apagando incêndio. Quando o senhor vai anunciar uma solução definitiva para Londrina?'', perguntou o promotor da 1 Vara Cível, Bruno Galatti.
Diante disso, o secretário anunciou que a Delegacia Antitóxicos vai ser instalada em Londrina no final de outubro, assim que os novos delegados aprovados em concurso público terminarem o período de formação.
Além do secretário Tavares, participaram da reunião o diretor interino do Fórum, juiz Jurandir dos Reis Junior; o delegado-chefe da Polícia Federal, João Luiz do Prado; o delegado-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, o delegado-chefe do Comando de Policiamento do Interior, Clovis Galvão; o delegado-adjunto da 10 SDP, Jurandir Gonçalves André; a promotora substituta da Vara da Infância e Juventude, Solange Vicentim; e representantes da Polícia Militar.
Os promotores aprovaram a criação de uma força-tarefa especial. Porém, eles ficaram preocupados com a falta de locais para receber os presos, principalmente se forem menores de idade. Só nos primeiros cinco meses deste ano a polícia apreendeu 270 menores, número quatro vezes maior do que o total do ano passado inteiro.
''Temos 110 mandados contra adolescentes para serem cumpridos e não sabemos onde vamos colocá-los. O Educandário São Francisco, em Curitiba, está lotado e não aceita mais adolescentes de Londrina'', alertou a promotora Solange Vicentin.
O Centro Integrado de Atendimento ao Adolescente Infrator (Ciaadi) tem capacidade para 35 adolescentes e está atendendo 37 atualmente. O governo do Estado firmou um convênio com o município para a construção de uma unidade de internamento para adolescentes infratores em 1996, mas até agora as obras não começaram.
Outra dificuldade apresentada ao secretário pelos promotores é a falta de provas para manter os adolescentes fora das ruas. ''Temos o caso de um adolescente que já praticou oito homicídios e não conseguimos provas consistentes para mantê-lo preso'', conta Solange. Os promotores explicaram que as pessoas têm medo de denunciar para a polícia e até mesmo de falar com a Justiça.
A sugestão dos promotores de instalar delegacias itinerantes nos bairros onde a violência é maior foi acatada pela polícia. O delegado Clovis Galvão prometeu que um ônibus da Polícia Civil, onde funciona uma unidade volante, vai ser usado na periferia de Londrina.

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