Tavares convoca reunião da cúpula da polícia para dar explicações
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segunda-feira, 30 de setembro de 2002
Denise Angelo Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O secretário de Estado de Segurança Pública, José Tavares, reuniu na manhã de ontem toda a cúpula das polícias civil e militar para apresentar explicações com relação ao envolvimento do seu nome num suposto tráfico de influência para impedir as investigações que estavam sendo realizadas contra Mário Fogassa, chefe da quadrilha especializada em roubo e desvio de cargas.
De acordo com denúncia do Ministério Público, o deputado estadual Carlos Simões (PTB) teria intermediado o contato de Fogassa com o secretário. O líder da quadrilha queria reclamar da suposta cobrança de propina que estaria sendo feita por integrantes da Delegacia de Estelionato e Desvio de Cargas. ''Não conheço essa pessoa, nunca a vi, nunca a recebi em minha casa, nunca ninguém me pediu para recebê-lo e nunca falei com ninguém que tenha esse nome por telefone'', assegurou o secretário. Ele confirmou, no entanto, ter recebido uma ligação de Simões pedindo informações sobre Fogassa. ''Eu recebo inúmeras ligações de parlamentares pedindo informações e às vezes corro o risco de receber, sem conhecer, pessoas envolvidas em crimes junto com esses parlamentares. Mas esse não foi o caso. Eu não recebi essa pessoa'', afirmou.
Tavares disse que tomou a iniciativa de reunir toda a sua equipe para esclarecer os fatos porque quer andar de cabeça erguida dentro da sua própria casa. Hoje ele deve se reunir com advogados para decidir se entra ou não com uma ação na Justiça por ter sido citado no processo. Ele disse estar tranquilo porque não deve nada, mas preocupado pelo fato do Ministério Público deixar ''vazar'' informações envolvendo nomes sem confirmação da efetiva participação das pessoas citadas.
O chefe-geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, voltou a afirmar que não pediu para que o inquérito contra Fogassa fosse ''segurado'', conforme cita a denúncia do MP. ''O secretário me pediu informações sobre o caso, porque havia sido procurado pelo deputado e eu lhe informei sobre o andamento do inquérito'', contou. Ribeiro disse ainda que várias vezes recebeu telefonemas de pessoas que se diziam advogados de Fogassa, denunciando a cobrança de propina. ''Eu orientei a pessoa que fazia a denúncia a enviar isso por escrito para que eu pudesse justificar a transferência de delegado do caso, mas esse advogado não tomou a iniciativa'', disse o delegado-chefe.
A assessoria do deputado Carlos Simões informou que ele não vai falar com a imprensa. No entanto, o parlamentar teria dito que as denúncias têm cunho político.


