Taturanas verdes assustam a periferia
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terça-feira, 25 de março de 1997
Adriana De Cunto 
Warren NabucoCuidado com elasTaturana recolhida por Márcia Maria da Silva no jardim Santiago 2: febre e alergia no marido A proliferação de taturanas, devido ao intenso calor, está assustando moradores dos bairros mais afastados de Londrina. A Autarquia do Serviço Municipal de Saúde está recebendo inúmeros telefonemas de pessoas pedindo orientação sobre como reagir no caso de queimaduras e preocupadas com a morte de um agricultor, no Estado de São Paulo, devido aos ferimentos causados após contato com uma taturana de espécie venenosa.
Segundo a bióloga Janete Teixeira Costa, da Divisão de Ação Sobre o Meio, do Serviço Municipal de Saúde, a Prefeitura já realizou várias vistorias por bairros da Cidade para identificação dos tipos de taturanas encontradas nos jardins e terrenos baldios. A do tipo lonomia, responsável pela morte do agricultor paulista, não foi encontrada na Cidade, tranquiliza a bióloga.
Ela esclarece que a taturana lonomia tem coloração acastanhada e espinhos verdes. Apresenta também uma mancha branca no dorso. Se tocada, pode causar hemorragia e lesões em alguns órgãos.
Janete Costa explica que nem todas as espécies são venenosas. As taturanas, chamadas de lagartas de fogo, são larvas de borboleta ou mariposas. Possuem pêlos ou espinhos e eliminam substâncias tóxicas quando são tocadas. A bióloga explica que elas não atacam. Alimentam-se à noite e de dia ficam quietas em galhos ou árvores.
Para evitar ferimentos, Janete Costa recomenda que as pessoas não toquem nestes bichos e tomem cuidado ao mexer com plantas. Em caso de queimadura, a bióloga recomenda que a pessoa ferida seja levada a um posto de saúde. A taturana deve ser capturada com ajuda de um galho de árvore ou pedaço de pau e levada em um vidro ou plástico rígido, com a tampa perfurada para que a larva possa respirar. Assim fica fácil identificar a espécie.
Janete pede que as pessoas tenham calma e evitem o uso de veneno nos jardins, na tentativa de matar as taturanas. Já está terminando o período de maior proliferação delas, diz Janete. Qualquer dúvida, ela aconselha a procurar o Serviço de Saúde, através do telefone 322-1893.
Ontem à tarde, Janete Costa recebeu mais um vidro para identificação da espécie da taturana. A larva foi presa no jardim da casa de Márcia Maria da Silva, 24 anos, no jardim Santiago 2 (zona oeste). Como a taturana tinha coloração verde, a dona-de-casa ficou preocupada com a possibilidade de ser da espécie venenosa. Só esta semana matei seis taturanas, reclama a mulher. Pelas características, a larva apreendida não é do tipo perigoso. Márcia Silva diz que o marido acabou tocando em um destes bichos e teve febre e alergia. Ele gemeu a noite inteira e o braço ficou bem inchado.


