Taturana causa morte de adolescente
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quarta-feira, 16 de julho de 1997
Lúcio Horta Londrina 
Marcos BorgesAnimal perigosoA lagarta lonomia oblíqua: espécie rara, venenosa e que costuma se desenvolver no invernoRogério Martins Monteiro, 15 anos, de Tamarana, morreu ontem por volta das 11h40 no Hospital Universitário de Londrina (HU), vítima de uma taturana conhecida como lonomia oblíqua. Trata-se de uma espécie de lagarta muito rara no Brasil - até a semana passada não havia registros de sua presença no Norte do Estado. O veneno dessa taturana, quando em contato com a pele da vítima, invade a corrente sanguínea e atrapalha o processo de coagulação do sangue, provocando hemorragias internas. As primeiras reações podem aparecer entre uma e 72 horas após o contato e são consideradas gravíssimas.
Segundo informações da família, na terça-feira da semana passada, dia 8 de julho, por volta das 15 horas, Rogério Monteiro esbarrou em cerca de 15 taturanas da mesma espécie, quando estava no pomar da fazenda Santa Helena, na serra do Arreio, a cerca de 20 quilômetros do município de Tamarana. Ele sentiu que a pele tinha queimado, mas no começo achou que se tratava de uma taturana comum. À noite, começou a sentir dores de cabeça e também no braço que foi atingido pelo animal. Apenas na manhã do dia seguinte foi encaminhado pela família até Tamarana, no hospital da Cidade, para receber atendimento.
O médico Francisco Viana, que recebeu o paciente, disse que Rogério chegou andando ao Hospital, por volta das 9h30. Ele até disse que não queria tomar injeção. Mas, já na sala de espera começou a ter convulsões e foi encaminhado imediatamente até o pronto-socorro e de lá para o HU. Nós sabíamos que o caso era grave, mas o quadro ia se complicando a cada momento.
Às 11h30 da manhã do dia 9, Rogério dava entrada na Unidade de Tratamento Intensivo do HU em estado de coma e com hemorragia no cérebro. Segundo o diretor-superintendente do Hospital Universitário, Cláudio Camacho, ainda no dia 9 à tarde já foi constatada a morte cerebral do paciente. Rogério Monteiro estudava na 7ª série em Tamarana e morava na fazenda Santa Helena, onde os pais são funcionários. Ele era filho único do casal.
Arquivo particularA vítimaO adolescente Rogério Martins Monteiro (ao centro, de boné): estudante de 7º série e filho único
Algumas das taturanas que causaram a morte do adolescente foram apreendidas pela família e encaminhadas para o Hospital Universitário. Cláudio Camacho explica que o veneno da lonomia oblíqua tem alto grau de toxicidade e pode invadir a corrente sanguínea da vítima mesmo através de um contato superficial, causando processos hemorrágicos. O tratamento deve ser feito o mais rápido possível, com um soro produzido a partir do próprio animal, já que a reação do veneno no corpo da pessoa é fulminante e a demora no atendimento pode ser fatal. Ele adverte também que a aparência desta taturana pouco difere das espécies comuns, que apenas causam reação local. Por isso, todo cuidado é pouco.
Na dúvida a pessoa deve capturar o animal, utilizando uma pinça, por exemplo, e encaminhá-lo até o hospital. É importante que não haja contato com as mãos. Se houver, a orientação é a mesma, porque o tratamento será feito conforme a espécie da taturana, explica Camacho. O HU mantém um Centro de Informações Toxicológicas (CIT), que funciona 24 horas por dia, capacitado para identificar a espécie e passar informações e orientações à comunidade. O telefone do centro é (043) 371.2244.
A técnica-administrativa do CIT, Miriam de Cássia Tóffolo, explica que esse é o primeiro caso de aparecimento de uma lonomia oblíqua no Hospital Universitário. Em janeiro, ela lembra, houve muita reclamação de moradores sobre a presença de taturanas em Londrina, mas em todos os casos tratava-se de uma espécie comum. Renata Pedrão Leme, estagiária do centro, observa que esta espécie comum se reproduz com maior facilidade no verão, principalmente em dias de chuva, ao contrário da lonomia oblíqua, que tem reprodução acentuada durante o inverno.
A partir de agora, a possibilidade de aparecerem novos casos na região não pode ser desprezada, avalia o superintendente do HU. Ele observa, porém, que não existe necessidade de pânico entre os moradores, já que a grande maioria de taturanas encontradas são as menos perigosas. Mas, se chegar alguém com suspeita de de ter sido atingido pelo animal, vai ficar em observação por até três dias, informa. Ele reitera: os sintomas podem durar até 72 horas para surgir.


