Arquivo FolhaUmbaráDos dez bairros que apresentaram nos últimos cinco anos as maiores taxas de crescimento populacional, oito, como o Umbará, estão na região sul da cidadeQuatro dos seis bairros que, segundo o IBGE, mais cresceram em Curitiba nos últimos cinco anos estão incluídos no programa habitacional do município e receberam maciços investimentos para a implantação de loteamentos, atraindo um grande contingente de pessoas para áreas até então desocupadas. Por isso, bairros como Tatuquara, Ganchinho, Umbará e Sítio Cercado, localizados na região Sul, apresentaram, entre 1991 e 1996, taxas anuais de incremento populacional de 15%, média muito superior ao índice registrado na cidade como um todo, de 2,34% ao ano. No período, a Cohab instalou nesses locais cerca de 18 mil famílias.
‘‘Isto prova que a política habitacional pode induzir o crescimento’’, avalia o prefeito Cassio Taniguchi. Ele cita como exemplo o Sítio Cercado, onde o município tem investido em programas de moradia nos últimos dez anos e passou de uma população de apenas 20,7 mil pessoas, em 1980, para 89 mil em 1996.
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Fenômeno semelhante ao do Sítio Cercado está acontecendo hoje no Tatuquara, onde o IBGE detectou, em sua última contagem populacional, o segundo maior índice de crescimento em Curitiba. A taxa de crescimento anual entre 1991 e 1996 foi de 18,79%. A explicação: os investimentos do programa habitacional na região.
Localizado no extremo Sul da cidade, o Tatuquara viu sua população crescer 139% em apenas cinco anos, graças a quatro loteamentos implantados ali a partir de 1992, abrigando 4,1 mil famílias. O processo de urbanização da área está ainda num estágio inicial, se comparado com o do Sítio Cercado, mas a tendência é que, à medida que o município for levando novos equipamentos públicos para atender às necessidades da população que está se instalando no Tatuquara, a região acabe atraindo novos moradores e atividades produtivas.
Dos dez bairros que apresentaram, nos últimos cinco anos, as maiores taxas de crescimento anual de Curitiba, oito estão localizados na região Sul da cidade. Destes oito, seis - Tatuquara, Guanchinho, Umbará, Sítio Cercado, CIC e Uberaba - receberam investimentos da Cohab, em projetos de loteamentos, blocos de apartamentos, Vilas de Ofícios e regularização fundiária, no período 1991-1996.
A produção da Cohab em Curitiba, neste intervalo de tempo, concentrou-se basicamente nos bairros localizados no setor sul da cidade - 97% das 41,1 mil famílias atendidas - porque se considerou que ele oferecia características mais propícias para o desenvolvimento de programas de moradia popular.
De acordo com o arquiteto Marco Aurélio Becker, do Ippuc, coordenador de um grupo que estuda a questão da moradia popular em Curitiba, o esgotamento das áreas de expansão está próximo. ‘‘Dentro de alguns anos, não haverá mais espaço para a cidade crescer e, por isso, o futuro é a integração com a Região Metropolitana’’, diz Becker. Curitiba tem pouco mais de 400 quilômetros quadrados, quase totalmente ocupados.
Na região Leste, a ocupação já alcançou as divisas com os municípios vizinhos - Pinhais e São José dos Pinhais - e há problemas de inundação. Na Oeste, encontram-se áreas de preservação, como a bacia do Passaúna, onde a legsilação ambiental impões restrições à execução de loteamentos. No setor Norte da cidade, a dificuldade é vencer a topografia acidentada e a existência de áreas de vegetação nativa.

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