Tatuagem sem idade
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Micaela Orikasa <br> Reportagem local 
A prática de tatuar a pele é tão antiga quanto a história da humanidade. Há relatos de que ela surgiu nos primórdios simbolizando cultos, ligadas à religião ou na identificação de grupos sociais. Com o passar das gerações, enfrentou preconceitos, rompeu barreiras étnicas e atingiu todos os cantos do mundo, estampando na pele um comportamento tido por todas as classes sociais e faixas etárias.
Seja em homenagem ou pela vontade de carregar um admirado desenho para sempre, a tatuagem é vista por muitos como uma marca da juventude, já que muitos dos clientes que visitam os estúdios de tatuagem são jovens. Mas aos 79 anos, seo Ricardo Lima prova que homens e mulheres acima de 60 anos também têm buscado realizar o desejo de tatuar.
''Só não fiz antes porque não tinha encontrado um desenho que me desse um grande motivo'', conta ele, que teve uma grande ideia há quatro anos. ''Fiz uma homenagem à minha mulher, pelos nossos 50 anos de casamento'', revela. E admite: ''Gostei tanto que faria outra''. A homenageada, dona Egle, de 70 anos, diz que foi uma surpresa e confessa que levou um susto. ''Mas acabei gostando e achei bonito. É uma prova de amor, né?'', diz em tom de brincadeira.
O tatuador Mauro Montezuma, de 32 anos, responsável pela homenagem que Lima carrega no braço esquerdo, afirma que em 10 anos de profissão percebeu um aumento gradativo de pessoas interessadas em tatuar. Isso, segundo ele, se deve à popularização da tatuagem. ''Antes, ela era associada ao universo underground, sendo marginal e praticamente um sinônimo de rockeiro. Hoje não, é algo que muita gente quer ter'', comenta ele, ao ressaltar que muitos dos clientes têm idade superior aos 40 anos e o procuram por indicação dos filhos e netos que já têm tatuagem. ''A única diferença em tatuar pessoas de mais idade é em relação à elasticidade da pele, mas é coisa mínima'', diz.
O também tatuador há dez anos, Fernando Nicolini, 38, completa que no início da profissão só atendia homens e mulheres na faixa etária de 18 a 30 anos. ''Hoje, cerca de 30% dos clientes têm entre 35 e 58 anos. Eles são mesmo influenciados por filhos e netos tatuados e geralmente querem tatuar como forma de homenagem'', afirma.
Nicolini é filho da cabeleireira Tiana Simão, de 64 anos. Há quatro, ela fez sua primeira tatuagem no braço direito: uma rosa com o nome do primeiro neto. Dois anos depois, fez uma estrelinha no braço esquerdo e confessa estar pronta para fazer a terceira com o nome do segundo neto.
''Não acho que existe idade para fazer o que se tem vontade. Há muitos anos, eu não achava muito legal, mas os tempos mudaram e agora percebo que tem um monte de gente tatuada'', comenta Tiana, ao revelar que é vista como corajosa por muitas de suas clientes que dizem ter vontade de ter uma, mas não fazem por medo da dor. ''Eu digo que na hora doi, mas passa rapidinho e a gente esquece. Vale a pena'', conta.


