Tatuagem pode atrapalhar luta por emprego
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quarta-feira, 30 de outubro de 2002
Janaina Hoffmann<br> Reportagem Local 
Com apenas 13 anos, o desempregado Valdecir Aparecido de Oliveira, hoje com 32 anos, decidiu tatuar o corpo. Um amigo fez os desenhos no braço esquerdo - uma cruz na parte superior, e uma cabeça de boi na parte inferior. Na época, como a maioria dos colegas, ele achava legal ter uma tatuagem. O problema, porém, só apareceu mais tarde, quando começou a procurar trabalho. As empresas não aceitavam as tatuagens. ``Hoje me arrependo do que fiz``, declara Oliveira, que mora no Jardim Leonor, na zona oeste de Londrina.
Há dois anos, Oliveira luta para encontrar uma forma de retirar as tatuagens. Conta que se sente discriminado pela sociedade. ``Tatuagem é moda para rico. O pobre, quando tatua, é visto como mau elemento``, desabafa.
E parece ser verdade. ``Jamais vamos contratar um futuro colaborador que tenha uma `tatuagem exposta` capaz de constranger as pessoas``. Essa foi a afirmação do gerente das Lojas Riachuelo, Antônio Sampaio de Andrade, de Londrina. Segundo o gerente, as regras do mercado de trabalho são impostas pela própria sociedade. Apesar de nunca presenciar um candidato com tatuagens aparentes no corpo, concorrendo a uma vaga para funcionário da loja, Andrade considera que esse não é o perfil requisitado, principalmente, quando a função a ser exercida pelo contratado for no atendimento ao público.
Como qualquer outra pessoa, na opinião do gerente, o estilo de cada um deve ser respeitado porque a índole não se julga pela aparência. Segundo ele, o maior problema é o preconceito que existe devido a rejeição por parte da sociedade.
Para áreas internas, Andrade declara não ver objeção alguma em contratar pessoas tatuadas.``Dedicação, comprometimento, aptidão e ética são os fatores principais que interferem na contratação de um funcionário``, ressalta.
Conforme a coordenadora da área de recrutamento e seleção da Labor Trabalho Temporário, Rute Hayashi, pessoas com tatuagens expostas no corpo enfrentam maiores dificuldades de colocação no mercado. Existe uma interferência, principalmente, quando o cargo se refere a linha de frente das empresas, como, por exemplo, recepção ao cliente.
Na avaliação de Rute, isso acontece porque a maioria das empresas ainda é tradicionalista. Os contratantes não colocam nenhuma referência específica de que não querem funcionários tatuados, mas segundo Rute, os empresários impõem alguns requisitos para contratação.``Boa aparência e apresentação é o que mais conta. Esse é o perfil mais requisitado``, afirma.


