Tatuadores lutam para se organizar
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sábado, 24 de setembro de 2005
Andréa Bordinhão<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Apesar da aparência despojada e até irreverente, a preocupação com a higiene e qualidade do trabalho está em primeiro lugar. Este é o discurso dos tatuadores que participam da II Expo Tattoo até hoje em Curitiba. A categoria ainda não está organizada em associação ou sindicato no Paraná e reclama da falta de colaboração da Vigilância Sanitária. Mas mesmo assim os profissionais procuram se unir contra os ''clandestinos'' e para isso pedem a colaboração dos clientes. A exposição é o maior evento da área no sul do País destinado ao público que deseja conhecer melhor o trabalho ou mesmo fazer uma tatuagem. Já os profissionais podem ter acesso aos materiais mais atuais do mercado e também participar de uma palestra sobre biossegurança.
''Queremos mostrar para as pessoas que tatuagem é arte e não coisa de bandido, presídio. Todos que estão participando têm estúdio dentro das regras. Ainda não temos uma legislação, mas estamos tentando organizar os tatuadores'', afirmou o organizador do evento, o tatuador Pepy (nome artístico). ''E para melhorar precisamos que a Vigilância Sanitária colabore mais com a gente porque hoje ninguém fiscaliza'', reclamou o tatuador. Como ainda não há um órgão e nem regras específicas para fiscalizar os estúdios, fica por conta do cliente observar o local antes de fazer a tatuagem e, se for o caso, até denunciar.
''É preciso observar se o material usado pelo profissional é descartável. O estúdio tem que ter pelo menos nove metros quadrados, tem que ser revestido de cerâmica, ter o mobiliário de fórmica ou vidro e tem que ter auto-clave, que é o método de esterilização mais avançado que existe'', explica Pepy. A descrição do tatuador mais parece a de um consultório ondontológio e o princípio de higiene e esterilização dos estúdios é de fato o mesmo que o praticado por dentistas. Um outro ponto importante que o cliente precisa observar é com relação à anestesia. Tatuador nenhum tem autorização para dar qualquer tipo de anestesia que não seja uma simples pomada no local.
O tatuador Claudio de Mendonça, conhecido como Alemão, preside o Sindicato dos Tatuadores de São Paulo e, mesmo tendo já uma organização melhor, afirma que o problema dos clandestinos ainda é grande. Apesar disso, a entidade está conseguindo alguns resultados junto com a Vigilância Sanitária do Estado e em breve um projeto de lei regulamentando o setor deve ser enviado à Assembléia Legislativa de São Paulo. E os tatuadores paranaenses esperam que este seja um precedente para o mesmo acontecer no Paraná.


