Pontal do Paraná - A praia do balneário de Pontal do Sul, no município de Pontal do Paraná, foi presenteada pela natureza com a chegada de uma tartaruga marinha exótica que fez ninhos na areia. Estima-se que apenas 15 fêmeas da tartaruga gigante ou de couro (como é conhecida popularmente) existam no Brasil em idade reprodutiva. Todas elas estariam reproduzindo nas praias do Espírito Santo. ''É um fato inédito que uma tartaruga dessa espécie, em idade reprodutiva, tenha vindo ao Paraná. Estamos estudando os motivos que fizeram ela vir ao nosso Estado'', disse empolgada a bióloga Laura Rosa, pesquisadora do Centro de Estudos do Mar da Universidade Federal do Paraná (UFPR).
Dois turistas filmaram e fotografaram a tartaruga gigante, que fez todo um ritual reprodutivo perto do mar até a região onde existe uma vegetação rasteira própria da praia. Os ninhos (camas) foram feitos em três horas. ''Ela fez seis ninhos. Normalmente, esse tipo de tartatuga faz várias camas e desova numa delas. É uma forma dela despistar o predador. Às vezes, elas rejeitam um local porque não gostam da areia ou porque está muito perto da maré. Depois ela tampa, disfarça, joga a areia em cima e vai embora'', contou a pesquisadora.
A aparição da tartaruga no Litoral do Paraná foi filmada às 7 horas do dia 8 de janeiro. No primeiro dia, rastros foram analisados. ''Ela demorou para se locomover aqui porque a areia é muito compacta. Cavar aqui é complicado. Mas ela conseguiu e chegou até a restinga'', comentou.
A tartaruga gigante pode ter até dois metros de comprimento e 900 quilos. A que esteve na praia paranaense tem 1,5 metro de comprimento e 350 quilos. ''Era uma fêmea jovem. Preta com pintas brancas'', informou. A espécie tem a carapaça um pouco mais mole do que as demais - ela não é formada por placas e, sim, por depressões chamadas de quilhas (são linhas retas). Elas vivem em média 100 anos. ''Essa tartaruga está ameaçada de extinção. Por isso, vamos proteger ao máximo os ovos'', disse a bióloga. Os ninhos foram todos cercados e estão protegidos. Banners serão feitos para evitar que os curiosos mexam na areia.
Existem três hipóteses para que a tartaruga tenha se desviado da rota original e tenha chegado ao Paraná: pode ter sido capturada por algum pescador e ficou debilitada para voltar para o Espírito Santo antes da desova; pode ter enfrentado adversidades no alto mar, como tempestades; ou ela pode ter procurado outra área para desovar (hipótese menos provável por conta das temperaturas mais baixas das praias do Paraná). Um outro caso de desova no Sul ocorreu em Florianópolis, há dois anos. Normalmente, esse tipo de tartaruga expele 80 ovos por desova. Para que as tartaruguinhas nasçam é necessário que haja uma temperatura adequada (entre 28 e 30 graus), umidade e o local tem que ser conservado.
''A gente isolou a área e vai estar monitorando o local para evitar invasões''. Liana acredita que a eclosão dos ovos ocorra em 80 dias (em condições normais de temperatura, ela ocorre em 50 dias). Em Pontal, a temperatura tem ficado em torno de 27 graus. Quando desovam, as tartarugas fêmeas ficam até três horas fora da água e voltam para o alto mar. Elas não são facilmente devoradas. Os predadores naturais dela são as orcas e os grandes tubarões, ambos também em extinção. O maior motivo de morte entre as tartarugas é a captura acidental em redes de pesca. Poucas chegam a idade reprodutiva (a partir dos 25 anos de vida).
A tartaruga gigante se alimenta de águas vivas e invertebrados de corpo mole (como as lulas). Como a respiração é pulmonar, elas sempre tiram a cabeça da água para respirar. Elas podem nadar a distâncias de até um quilômetro da superfície. A cada mil tartarugas que nascem, duas chegam a fase adulta.

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