Luciana Pombo
De Curitiba
Uma espécie de tartaruga ameaçada de extinção, Dermochelis coriacea, conhecida como tartaruga-de-couro, foi encontrada morta em Torres, litoral do Rio Grande do Sul (RS), e encaminhada para Curitiba para ser empalhada. A tartaruga será exposta no Museu Oceanográfico da Universidade de Itajaí (Univale) em Santa Catarina por ser a única espécie do mundo que não tem uma casca para proteção da pele. A proteção é feita de couro. ‘‘Tive muito trabalho para restaurar toda a pele da tartaruga e colocar os olhos, importados’’, diz Fernando Chiavenato, biólogo taxidermista.
O trabalho de reconstituição da tartaruga iniciou em março deste ano. ‘‘Foram sete meses para que ela ficasse assim. Acho que o trabalho foi compensatório’’, afirma. De acordo com os especialistas, a espécie encontrada tinha cerca de 125 anos e 300 quilos. A tartaruga-de-couro é o maior e mais antigo representante dos quelônios, que se desenvolveram durante a era dos dinossauros. Algumas podem chegar a pesar 600 quilos, medir quase dois metros e ter até 500 anos de idade.
O Fundo Internacional de Vida Selvagem, que fica nos Estados Unidos, acredita que existam atualmente cerca de 20 a 30 mil fêmeas da tartaruga, número insuficiente para assegurar a sobrevivência da espécie. Em períodos remotos, ela era abundante nos mares de todo o planeta, inclusive do Brasil. Pouca coisa se sabe sobre a tartaruga-de-couro. Os zoólogos desconhecem as áreas que ela habita, onde acasala, qual seu alimento. O que se sabe é que as fêmeas vêm à terra firme a aproximadamente cada dois anos, sempre à noite, para pôr seus ovos; e que o macho jamais deixa o mar desde o momento em que saiu no seu ninho nas areais onde nasceu.
Além de empalhar tartarugas, Chiavenato trabalha com a restauração de diversos animais, de anfíbios e peixes até répteis e mamíferos. Entre os principais clientes para esse tipo de atividade estão pescadores, instituições educacionais e fazendeiros. ‘‘Não estamos incentivando o abate de animais, queremos apenas auxiliar para que seja preservada a cultura’’, argumenta.
Em todo o País, apenas cinco pessoas são profissionalizadas. ‘‘É um trabalho bastante minuncioso, que vai desde o curtimento e limpeza do animal até a maquiagem e a pesquisa de seu habitat natural’’, diz ele.

mockup