Tarifa reajustada pode causar protestos
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sábado, 14 de junho de 2003
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
Londrina nem se recuperou do violento protesto contra o reajuste da tarifa do transporte coletivo no município, ocorrido na tarde da última sexta-feira, e novas manifestações já estão sendo cogitados a partir de amanhã. As garagens das empresas que operam o serviço receberam reforço na segurança e as polícias estão de sobreaviso. Ontem, os ônibus circularam normalmente até o início da tarde e os usuários acordaram sabendo que a Justiça negou liminar para cancelar o reajuste, e os que tomaram ônibus tiveram que desembolsar R$ 1,60 para passar pela catraca.
Por volta das 22 horas de sexta-feira, o juiz substituto da 4 Vara Cível, Álvaro Rodrigues Júnior, anunciou que havia indeferido o pedido de liminar proposto pelo promotor de Defesa dos Direitos do Consumidor, Miguel Sogaiar, em uma ação civil pública que pede a suspensão do decreto municipal que majorou a tarifação do transporte coletivo em 18,54%. O aumento que vigora desde o dia 1º de junho (leia texto nesta página).
O promotor tomou conhecimento ontem pela manhã do despacho. Através de um amigo, declarou que iria se pronunciar no momento oportuno. Ele ainda poderá ingressar com recurso em instância superior. No decorrer dessa semana, Sogaiar deverá receber mais documentos relativos, principalmente, ao controle de passageiros.
As partes arroladas como rés na ação Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL) e Francovig falaram com a imprensa e destacaram a decisão da Justiça. Apenas o prefeito Nedson Micheleti (PT), mais uma vez, não deu declarações sobre o assunto.
Objetivo, o presidente da CMTU, Wilson Sella, considerou ''coerente'' a decisão da Justiça. Ele não fez maiores comentários e disse que apenas no decorrer da semana poderá falar de forma mais aprofundada sobre o assunto. Com relação ao protesto de anteontem, o presidente da CMTU afirmou que teve ''motivação política'' e que já solicitou providências às polícias Civil e Militar.
O gerente geral da TCGL, Gildalmo de Mendonça, declarou que a decisão do juiz foi ''coerente, clara e objetiva'' e reafirmou a competência da CMTU e do município em estabelecer e fixar a tarifa. O gerente afirmou que não teme uma auditoria na contabilidade da empresa, uma vez que o juiz destacou que somente após essa análise seria possível perceber o desequilíbrio econômico-financeiro que motivou o reajuste. ''Não tenho receio nenhum de sofrer auditoria'', declarou, completando que toda a composição da planilha é feita com base em documentos fiscalizados pela CMTU.
Mendonça lamentou os acontecimentos ocorridos anteontem, quando os ônibus foram impedidos de circular no período da tarde e dois deles, quando tentavam sair, foram depredados depois que um rapaz foi atropelado. Cerca de 60 mil pessoas foram impedidas de utilizar o serviço. ''Peço que diretores e professores orientem seus alunos a não participarem desse tipo de manifestação, pois estão lutando por uma causa que eles não conhecem'', considerou.
A Francovig, que também explora o transporte coletivo em Londrina, foi procurada pela Folha mas informou que não iria se pronunciar ''para evitar especulações e por considerar a situação tensa''.


