Tarifa não sobe, por enquanto
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quarta-feira, 28 de maio de 2003
Adriana Savicki<br>Reportagem Local 
Pelo menos por hoje, a passagem de ônibus continua a custar R$ 1,35. Em resposta a recomendação do promotor especial de Defesa do Consumidor, Miguel Sogaiar, a prefeitura de Londrina decidiu manter a suspensão do aumento da tarifa. Mas o alívio no bolso vai durar pouco. O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanismo (CMTU), Wilson Sella, anunciou ontem, em entrevista coletiva, que o executivo só aguarda um parecer jurídico da Procuradoria do Município para conceder o aumento.
''O prefeito ordenou que o aumento só fosse efetivado quando não houver mais nenhuma dúvida'', reforçou Sella, que disse estar certo a respeito da validade do aumento. Ele voltou a argumentar que o reajuste é necessário para manter o equilíbrio financeiro das empresas concessionárias e criticou a posição do Ministério Público (MP) em não discutir a planilha de custos. ''Foi uma decisão unilateral de não debater a planilha e muito me espanta eu ter sido informado das decisões através da imprensa'', reclamou.
A recomendação do MP está baseada na interpretação das leis federais que regulamentam a concessão de reajuste no setor público. Na avaliação de Sogaiar, o reajuste de Londrina é ilegal porque não respeitou o intervalo mínimo estabelecido de um ano.
Sella também descaracterizou a posição do MP. ''Estamos considerando essa questão como se fosse uma reclamação vinda de um cidadão respeitável, mas não como órgão público visto que o MP não pode ingerir sobre a administração municipal'', declarou.
A indefinição do executivo irritou o Sindicato dos Trabalhadores do Transporte em Londrina. O presidente do órgão, João Batista da Silva, voltou a falar em greve. ''Ainda não fizemos assembléia mas os sinais de insatisfação são positivos de que a categoria apóia uma paralisação'', afirmou.
O presidente da CMTU também reforçou essa possibilidade. Segundo ele, 51% do valor da tarifa é utilizado exclusivamente no pagamento de salários, o que impede o reajuste de salários sem estar atrelado ao aumento de tarifa. Os diretores das empresas concessionárias não foram localizados para comentar o assunto.


