Tarifa de ônibus sobe para R$ 1,40 em Maringá
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terça-feira, 10 de dezembro de 2002
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá A maioria dos usuários do transporte coletivo em Maringá levou um susto ontem, com o preço da tarifa que subiu de R$ 1,15 para R$ 1,40. Por causa do aumento de quase 22%, muitas pessoas disseram que não terão condições de pagar a tarifa e prometem levantar mais cedo e ir ao trabalho a pé.
Para o secretário de Transportes de Maringá, Renato Bariani, o aumento foi necessário em virtude dos reajustes de produtos que compõem a planilha do sistema. A Transporte Coletivo Cidade Canção única empresa a operar no setor havia solicitado uma tarifa de R$ 1,50. Com o reajuste concedido pela prefeitura, a tarifa de transporte coletivo em Maringá é uma das mais caras do Estado, sendo maior inclusive que a de Londrina.
Segundo Bariani, além dos constantes reajustes dos combustíveis que somaram ao longo do ano cerca de 60%, outros produtos como pneus e peças, que sofreram reajustes expressivos este ano, contribuíram para o aumento da tarifa. Além disso, de acordo com ele, o elevado número de pessoas beneficiadas pela gratuidade, principalmente os estudantes que desde 1997 deixaram de pagar a tarifa com a criação do programa ''Passe do Estudante'' é outro fator que faz encarecer a tarifa do transporte coletivo de Maringá. ''Infelizmente, quando criaram o Passe do Estudante ninguém disse quem ia pagar a conta e hoje se sabe que, quem paga a conta são os trabalhadores; os assalariados que utilizam o sistema coletivo'', disse. Segundo ele, 27 mil estudantes são beneficiados pelo programa. ''A passagem do transporte coletivo em Maringá é cara porque o trabalhador está pagando a passagem dele e mais 40% de um estudante'', disse.
Para Bariane, a maioria da população que não utiliza os serviços do transporte coletivo faz uma crítica equivocada do sistema. ''A maioria das pessoas diz que o sistema é bom e que tem que se manter a gratuidade dos estudantes, só que esta maioria não utiliza o transporte coletivo; não fica espremido dentro dos ônibus em horários de pico e não tem que pagar a tarifa'', afirmou. Mesmo sendo contra o Passe do Estudante, Bariani diz que a prefeitura não pretende acabar com a gratuidade. ''Isso quem tem que decidir são os usuários. Eles precisam se organizar e lutar para o fim da gratuidade porque senão daqui a pouco todo mundo vai querer andar de ônibus de graça às custas do assalariado'', explicou. Conforme Bariane, se não tivesse a gratuidade do passe do estudante, a tarifa hoje em Maringá seria de R$ 1,00. ''Se fosse como em Londrina, onde os estudantes pagam 50% da tarifa, a passagem em Maringá custaria R$ 1,20'', comparou.
De acordo com o diretor da TCCC, Roberto Jacomelli, o que mais interferiu no aumento da tarifa foram os reajustes do diesel e de outros insumos imprescindíveis para a atividade. Ele também alertou para as consequências da gratuidade. Segundo ele, apenas 60% dos usuários da empresa pagam as passagens. Além dos estudantes, são isentos da tarifa de ônibus coletivo os policiais militares, os funcionários dos Correios, e os idosos.


